Por que Pacheco recusou viajar com Lula à Ásia

Senador evitou embarcar com o presidente para não reforçar especulações sobre a vaga no Supremo
Lula e Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco preferiu não viajar com Lula para Ásia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ainda na disputa pela vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) recusou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar a comitiva do Palácio do Planalto em viagem à Ásia.

O petista embarcou na terça-feira (21) para compromissos na Indonésia e na Malásia, onde participa da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). O retorno está previsto para a próxima semana.

Segundo apuração de O Fator, Pacheco decidiu não acompanhar Lula para deixar o presidente mais confortável após ser dado como certo, nos bastidores, que o petista deve indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo.

A escolha, inclusive, teria sido comunicada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), durante um jantar entre os dois no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (20). O amapaense, principal articulador em prol de Pacheco, tem atuado para tentar manter o nome do senador no radar do Planalto.

Nesse contexto, o parlamentar declinou do convite para evitar que a viagem fosse interpretada, tanto pela imprensa quanto por setores jurídico e político, como uma tentativa de pressionar o petista. Além disso, Pacheco teria compromissos pessoais já marcados.

Interlocutores ouvidos pela reportagem também avaliaram que, por se tratar de uma agenda internacional extensa, o presidente poderia aproveitar a viagem para tentar convencer o senador a disputar o governo de Minas. E, nesses casos, entende que dar espaço pode ajudar a mudar o cenário.

Pacheco tem sinalizado a pessoas próximas que, enquanto Messias não for de fato anunciado, nenhuma possibilidade está 100% fechada e, por isso, quer manter-se “vivo” na disputa.

Lula quer conversar com Pacheco na volta

O Fator mostrou que Lula pretende se reunir com Pacheco antes de anunciar oficialmente o nome de Jorge Messias para a vaga na Corte. O retorno do presidente de sua viagem à Ásia está marcado para a próxima terça-feira (28).

A conversa teria dois objetivos principais. O primeiro é explicar pessoalmente a escolha de Messias. O segundo, e considerado mais importante pelo Planalto, é convencer Pacheco a disputar o governo do estado em 2026.

A decisão pelo advogado-geral da União está ligada ao fato de ele já ter sido preterido em outras duas oportunidades para o Supremo, quando o petista indicou Flávio Dino e Cristiano Zanin. Além disso, Lula quer demonstrar que a indicação atende a critérios pessoais.

Desanimado?

Aliados do ex-presidente do Senado, porém, afirmam que uma confirmação de Messias para o STF tende a desestimular Pacheco a concorrer o Executivo estadual. O cenário se complica com a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD, marcada para o dia 27, justamente para que ele dispute a sucessão de Romeu Zema (Novo).

Simões contará com o apoio da máquina estadual. Se decidir entrar na corrida eleitoral, o senador provavelmente terá de buscar outro partido, já que o PSD acelerou a filiação do vice-governador. Entre as siglas interessadas em atrair o senador estão PSB e MDB.

Leia também:

Roteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro prevê foco em Minas, Rio e São Paulo

Os empreendimentos de transmissão em Minas confirmados para leilão no fim de março

O motivo da menção a Carlos Viana nas anotações de Flávio Bolsonaro

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse