Prefeitos aproveitam última viagem de Zema como governador para pedir aliança com Flávio Bolsonaro

Em giro pelo Sul de Minas, região da estreia no interior em 2020, governador ouviu apelos para rever o plano de 2026
Romeu Zema e lideranças do Sul de Minas
Em dois dias, o governador Romeu Zema visitou sete cidades do Sul de Minas. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

O Sul de Minas Gerais, destino da primeira viagem de Romeu Zema (Novo) como governador, em 2019, também foi palco da última agenda dele à frente do Executivo estadual, no início desta semana. Na despedida, Zema ouviu de prefeitos, empresários e lideranças locais um apelo que já circula no entorno do PL: desistir da candidatura à Presidência da República e aceitar ser vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (RJ).

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e herdeiro natural do recall eleitoral do pai, Flávio é a aposta da direita para o plano nacional, segundo as pesquisas. Zema, por enquanto, mantém o discurso de pré-candidato ao Planalto.

A última viagem do político do Novo no comando de Minas ocorreu na segunda (16) e na terça-feira (17). Em dois dias, o governador passou por sete cidades, percorreu cerca de 360 quilômetros por estrada e, depois, seguiu para São Paulo (SP), onde se reuniu com representantes do grupo Cogna de Educação e com investidores.

O roteiro incluiu Lavras, Varginha, Pouso Alegre, Congonhal, Ipuiúna, Caldas e Poços de Caldas. Zema foi de Belo Horizonte a Lavras de avião. De lá, fez de carro os demais deslocamentos em território mineiro. Depois, embarcou para São Paulo e retornou também de avião.

Ele fica no cargo até domingo (22), quando transmite o governo ao vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao Palácio Tiradentes.

Segundo interlocutores, o clima foi de despedida, agradecimento e articulação política.

Frente contra reeleição de Lula

Prefeitos e lideranças locais dominaram as agendas. Nos bastidores, a avaliação se repetia: Zema teria mais utilidade eleitoral como vice de Flávio Bolsonaro e formando uma frente contra a reeleição do Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar do pedido, os chefes do Executivo afirmaram que manteriam o apoio ao governador de Minas independente da decisão.

A pressão, no entanto, não veio de um encontro isolado. Atravessou a viagem. Mesmo quando a fala não era direcionada ao governador, o assunto costumava girar ao redor de uma possível dobradinha com o filho de Bolsonaro.

A leitura de parte dos prefeitos é que uma chapa com o bolsonarismo daria a Zema algo que a pré-candidatura ainda não entregou: competitividade nacional. Garantiria, ainda, fôlego a Mateus Simões (PSD), que poderia atrair o PL para a sua coligação

O movimento tem respaldo em Brasília. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já disse que Zema está entre as opções do partido para a vice em 2026. A outra citada por ele é a senadora e ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no governo Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS).

Na maior parte do trajeto, o governador foi acompanhado pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, pelo presidente da Invest Minas, Rodrigo Tavares, e pelo diretor de Atração de Investimentos da agência, Ronaldo Barquette. Café, comida mineira e uma romaria de lideranças locais completaram o roteiro.

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