A Prefeitura de Conceição do Mato Dentro — município localizado na região central do Estado — lançou nesta terça-feira (6) o projeto “Minha Primeira Biblioteca”, voltado ao estímulo à leitura entre os alunos da rede municipal. A iniciativa prevê a entrega de mais de 2 mil kits literários a crianças da educação infantil, do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Professores também receberão material complementar. Todos os livros vêm com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e tradução em Libras.
Realizado no Ginásio Poliesportivo, o evento de lançamento reuniu estudantes, famílias, autoridades locais e representantes de todas as escolas do município. A programação incluiu a participação da contadora de histórias Fabiana Brasil, doutora em literaturas de língua portuguesa.
Apontando dados recentes que mostram que cerca de 29% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais — incapazes de compreender textos simples —, o prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Neto (PSB), mais conhecido como Otacilínho, destacou os objetivos do projeto.
“Este projeto é fundamental para resgatar a tradição de contar histórias dentro do ambiente familiar, criando laços afetivos e promovendo o amor pela leitura desde cedo”, disse o prefeito.
O prefeito ainda explicou que, durante a pré-escola e nos anos iniciais, a leitura ajuda as crianças a desenvolverem concentração e escuta atenta. Na adolescência, ela funciona como um recurso importante para a formação da identidade, ao expor os jovens a temas e realidades diversas — contribuindo para o desenvolvimento de uma visão crítica de mundo. Ao longo da vida, a leitura contínua forma adultos mais informados, com melhor desempenho profissional e cidadãos mais engajados.
O kit “Minha Primeira Biblioteca” contém 4 livros de literatura e 1 livro de atividades para o ensino infantil, 8 livros de literatura e 1 livro de atividades para o ensino fundamental e 6 livros de literatura e 1 de atividades para o ensino EJA.
Sem avanços, Brasil tem 29% da população analfabeta funcional
Os dados citados são do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024, divulgados há dois dias pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, foram entrevistados 2.554 indivíduos de 15 a 64 anos, em todas as regiões do país, com o objetivo de mapear as habilidades de leitura, escrita e matemática da população brasileira.
Os resultados mostram que uma parte significativa da população ainda não domina habilidades básicas de leitura, escrita e matemática — competências essenciais para o exercício da cidadania e a inserção no mercado de trabalho.
O levantamento classifica como analfabeto funcional o indivíduo que é capaz de identificar palavras soltas, frases curtas ou números familiares — como telefones, preços e endereços —, mas que não compreende textos simples nem realiza operações matemáticas que exigem raciocínio mais elaborado. Essa categoria engloba os analfabetos absolutos, que não conseguem ler nem escrever, e os chamados “rudimentares”, com domínio muito básico da linguagem escrita e dos números. Acima deles, o Inaf identifica três níveis de alfabetização: elementar, intermediário e proficiente.
