Quando o encontro de Lula com Pacheco deve ocorrer

Petista quer comunicar a escolha de Jorge Messias e medir o interesse do senador em disputar o governo mineiro em 2026
Lula e Pacheco
O presidente Lula deve conversar com o senador Rodrigo Pacheco nesta semana para anunciar sua decisão sobre o STF. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Há expectativa entre auxiliares do Palácio do Planalto de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúna com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) já nesta quarta-feira (29). O petista estaria decidido a encerrar as especulações em torno da indicação para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).

Após cumprir agenda na Ásia na última semana, Lula desembarca em Brasília na noite desta terça-feira (28). Conforme apurou O Fator, caso esteja disposto, o presidente deve convidar o parlamentar para a tão esperada conversa sobre a sucessão no STF e o cenário político em Minas Gerais.

Nos bastidores, fontes afirmam que o prazo máximo considerado para esse encontro é sexta-feira (30). A avaliação é de que o assunto já se prolongou e, diante da boa repercussão da viagem internacional, que incluiu um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a orientação é encerrar as pendências e reorganizar a pauta interna.

Lula pretende conversar com Pacheco antes de oficializar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. Como mostrou O Fator, o encontro tem dois propósitos principais: comunicar pessoalmente a escolha de Messias, aliado de longa data do presidente, e avaliar a disposição do senador em disputar o governo mineiro em 2026.

Essa segunda pauta é vista como prioritária pelo Planalto. Embora o chefe do Executivo queira que Pacheco entre na corrida estadual, o senador tem demonstrado pouca empolgação para o pleito e já admitiu publicamente a possibilidade de deixar a vida pública ao fim do seu mandato, que se encerra no ano que vem.

Recusa

Antes da viagem internacional, Lula avisou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que optaria por Messias para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A decisão contrariou o aliado do senador, que articula seu nome para o Supremo e defende que ele teria maior trânsito político no Congresso.

Ainda assim, o cenário não está completamente fechado. Como revelou O Fator, Pacheco recusou o convite do petista para acompanhá-lo à Ásia, gesto interpretado como tentativa de evitar ruído político após o favoritismo de Messias e de preservar o diálogo. Interlocutores próximos avaliam que, ao abrir espaço, o senador manteve as pontes.

Em declaração recente, Pacheco reforçou que a escolha cabe exclusivamente ao presidente: “É importante respeitar o momento e a decisão do presidente da República. E a decisão que for tomada por ele será, evidentemente, respeitada por mim e por todos como uma decisão de um presidente da República. Caberá ao Senado fazer a avaliação”, afirmou.

No governo, a indicação de Messias é tratada também como uma forma de reparar uma pendência. O advogado-geral foi preterido nas duas nomeações anteriores – quando Lula escolheu Flávio Dino e Cristiano Zanin – e agora deve ser contemplado em um gesto que o entorno do presidente classifica como pessoal.

Em Minas

Na conversa com Pacheco, Lula pretende apresentar as razões pelas quais considera essencial que o senador entre na disputa pelo governo de Minas. Um dos principais argumentos é o fortalecimento do palanque do PT no segundo maior colégio eleitoral do país.

Na última semana, o senador sinalizou que essa decisão não vai demorar a ser tomada. “Essa discussão da eleição ao governo de Minas, eu considero que é um momento decisivo e importante para que se tenha uma decisão mesmo, uma deliberação a respeito disso”, declarou Pacheco.

Segundo interlocutores, o presidente deve lembrar também que programas sociais recentes têm potencial de impacto direto no estado e que a melhora de sua popularidade pode impulsionar aliados nas urnas. O cenário, contudo, se tornou mais competitivo com a filiação do vice-governador Mateus Simões ao PSD, na segunda-feira (27).

O passo foi articulado para viabilizar sua candidatura à sucessão de Romeu Zema (Novo). Simões contará com o apoio da máquina estadual. E se optar pela disputa, Pacheco precisará de nova legenda.

PSB e MDB já demonstraram interesse em abrigá-lo, enquanto o União Brasil também sinalizou positivamente, sobretudo por articulação de Alcolumbre. O impasse, contudo, está na federação entre União e PP, que filiou o secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, que é pré-candidato ao Senado.

Simões também quer formar uma aliança com MDB, do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite. “É a noiva que todo mundo corteja”, disse em entrevista exclusiva a O Fator, ao tratar de Tadeuzinho. Ele ressaltou que o desejo é por ter os emedebistas como aliados, sem necessariamente entregar à legenda a tarefa de escolher o candidato a vice.

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