Republicanos-MG diz à Justiça Eleitoral que terá candidato próprio a governador, mas não cita Cleitinho

Ata Executiva do partido afirma que legenda terá candidaturas ao governo mineiro, vice-governadoria e ao Senado Federal
Senador Cleitinho, ao lado dos presidentes nacional e estadual de seu partido. Fotos: Júlio Dutra/Republicanos

O Republicanos de Minas Gerais registrou, na madrugada desta quinta-feira (6), uma ata da Executiva do partido em que afirma que terá candidatos próprios ao governo, a vice-governador e ao Senado Federal.

O documento, assinado pelo presidente estadual do partido, deputado federal Euclydes Pettersen, não cita o nome do senador Cleitinho Azevedo, mas ele continua sendo, nos bastidores, o favorito de dirigentes do Republicanos para disputar o governo mineiro caso a direção nacional volte atrás e autorize sua candidatura.

A ata registrada pelo diretório mineiro formaliza, ainda, que “na hipótese de o Presidente não registrar dois candidatos ao cargo de Senador da República, o partido poderá declarar apoio a candidato(s) a Senador da República de outra agremiação”.

O trecho deixa caminho livre para a sigla apoiar a candidatura ao Senado do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), que, após reviravolta na noite desta quarta-feira (5), disputará o cargo ligado à chapa de Mateus Simões (PSD), mas de forma avulsa.

Apesar da relevância de Cleitinho na crise interna recente, seu nome não aparece na ata. Ainda assim, lideranças ligadas ao Republicanos e ouvidas por O Fator afirmam que, caso haja uma mudança na posição da direção nacional, o senador segue como o principal nome do partido para encabeçar a chapa ao governo de Minas.

Se a direção nacional ainda assim vetar a candidatura de Cleitinho, o diretório mineiro pode tentar alternativas. Uma delas é a de que o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), cotado inicialmente para ser vice em uma eventual chapa liderada por Cleitinho, passe a ser considerado como cabeça de chapa e candidato ao governo.

Crise

A ata do diretório mineiro é mais um capítulo de uma crise que se arrasta há semanas em torno da candidatura de Cleitinho Azevedo. Durante meses, o senador manteve indefinição sobre disputar ou não o comando do estado. Em diferentes momentos, afirmava que seria candidato e, em outros, recuava. Essa oscilação passou a incomodar a direção nacional do Republicanos, que cobrava uma definição para avançar nas articulações políticas e na montagem da chapa majoritária.

Na quarta-feira (29) da semana passada, após pressão de partidos de direita, como PL e a federação União Brasil–PP, o Republicanos decidiu retirar Cleitinho da disputa. A avaliação era de que a falta de previsibilidade em relação à candidatura em Minas gerava insegurança para o projeto do partido no estado. Desde então, Cleitinho tentou reverter a decisão. Ele se reuniu pelo menos três vezes com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e insistiu para continuar como candidato ao governo.

Na segunda-feira (3), o próprio partido chegou a divulgar um vídeo em que Cleitinho aparece ao lado de Marcos Pereira e de Euclydes Pettersen anunciando que não seria mais candidato. No vídeo, o senador diz enfrentar um momento de fragilidade emocional e afirma que precisava se dedicar à família. O conteúdo foi interpretado como uma tentativa de encerrar o impasse.

Mesmo após o vídeo, a disputa interna continuou. Na terça-feira (4), durante a convenção nacional do Republicanos em Brasília, Cleitinho pediu a palavra diante da militância e fez um apelo público para que o partido reconsiderasse a decisão e o mantivesse na corrida pelo governo de Minas. Em resposta, Marcos Pereira fez um pronunciamento de cerca de 30 minutos, transmitido pelo canal oficial do partido com o título “Tudo sobre a candidatura de Cleitinho: a verdade que você precisa saber”.

No discurso, Pereira afirmou que o Republicanos deu todos os prazos para que o senador definisse sua posição, mas que a indefinição constante criou um ambiente de instabilidade. O presidente nacional argumentou que uma legenda com responsabilidade institucional precisa conduzir projetos eleitorais com previsibilidade e que não poderia colocar Minas Gerais “nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa e, cinco minutos depois, pensa outra”, em referência à postura de Cleitinho nos últimos meses.

O vídeo, segundo integrantes da cúpula partidária ouvidos por O Fator, reforçava a avaliação de que a decisão sobre Minas estava tomada e que não haveria intenção, por ora, de reabrir a discussão. Para a direção nacional, o processo foi encerrado; para aliados de Cleitinho, no entanto, ainda há uma expectativa de que o quadro possa ser revertido, o que explica, em parte, o registro da ata em Minas com a previsão de candidatura própria.

Ainda assim, reuniões foram feitas ao longo dos últimos dois dias na tentativa de reverter a decisão. Pelo que O Fator apurou, o presidente nacional do Republicanos não abria mão da decisão final de não autorizar a candidatura de Cleitinho.

Reviravolta

O cenário em Minas Gerais mudou completamente nas últimas horas. Na mesma noite em que o Republicanos-MG registrou a ata, a federação formada por União Brasil e PP confirmou, em nota, que vai indicar Danilo de Castro (União Brasil) como candidato a vice-governador na chapa de Mateus Simões (PSD). O acordo também prevê Aro, que havia rompido com Simões para tentar viabilizar uma candidatura própria ao Executivo, retornando à aliança como postulante avulso ao Senado Federal.

Segundo os partidos, o entendimento “amplia a base política do projeto e reforça a construção de uma frente voltada para a continuidade do desenvolvimento do estado”. A costura foi chancelada pelos presidentes nacionais Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), que apresentaram a composição como convergência de forças políticas em torno de um projeto de estabilidade, diálogo e desenvolvimento para Minas.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Mães de Aro e de presidente do PSB são registradas como suplentes ao Senado

A engenharia que fez aliança de Simões acomodar três candidatos ao Senado

PSB alinha apoio a Patrus Ananias ao governo de MG

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse