Entre todas as chapas femininas e masculinas que disputaram vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) neste ano, a de mulheres do Democrata teve o pior dos desempenhos: média de 64 votos para cada uma das 15 candidatas.
Segundo levantamento de O Fator com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nenhuma delas registrou qualquer rede social junto ao TSE. Para fins de fiscalização das propagandas eleitorais das campanhas, os candidatos são obrigados a informar quais perfis digitais serão usados para disparo de peças publicitárias. O espaço, porém, ficou vazio para todas as 15 postulantes do Democrata.
Além disso, só duas integrantes da chapa democrata têm alguma experiência política, ainda que sem conquistar cargos públicos. As candidatas Danielle Teixeira e Bel do Mercado, que receberam 40 votos cada, já tentaram a sorte em outros pleitos.
A primeira concorreu a vereadora em Sete Lagoas (Região Central) pelo extinto PSL em 2020, mas teve somente 47 votos. Já Bel do Mercado se candidatou para a Câmara de BH duas vezes e para a Câmara dos Deputados em outra oportunidade, mas nunca recebeu mais do que 300 votos.
O Fator busca, desde essa quinta-feira (15), contato com João Júnior, presidente da legenda em Minas, e com duas candidatas mulheres do Democrata. Não houve resposta. O espaço permanece aberto.
Sem bens a declarar
A Justiça Eleitoral também exige que os postulantes a cargos públicos declarem seus bens no ato de registro de suas candidaturas. No caso da chapa feminina do Democrata, porém, apenas uma das 15 mulheres informou ter algum patrimônio.
Sabrina Rodrigues, que se candidatou pela primeira vez e teve 42 votos, declarou ser proprietária de um Fiat Uno Mille, avaliado em cerca de R$ 10 mil.
Além disso, só duas mulheres do partido receberam qualquer verba partidária para financiamento de suas campanhas. Uma delas foi Sabrina, que levantou R$ 3 mil junto ao diretório estadual da legenda.
O mesmo valor foi transferido pelo diretório estadual a Keila Lima – a mais votada da chapa feminina democrata, com 269 votos.
Nem 10 votos
Patricia Ferreira, que compôs a nominata do Democrata, somou apenas seis votos na eleição deste ano para a Assembleia. Ela teve o segundo pior desempenho entre candidaturas não anuladas pelo TSE para o cargo. “Ganhou” apenas de Sérgio Amorim (Agir), que teve dois votos.
Patrícia também era novata em eleições, não declarou bens nem recebeu qualquer recurso para fazer campanha. Além disso, não registrou perfil para compartilhamento de peças publicitárias de sua candidatura.
No total, a legenda teve 39 candidaturas para a Assembleia. Pela regra da cota de gênero, ao menos 30% do volume total de postulantes precisa ser ocupado por mulheres.
Ou seja: o Democrata precisava de pelo menos 12 mulheres concorrendo à ALMG para evitar a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap).
Deputado eleito
O Democrata conseguiu eleger Cabo Gregório Silva para a ALMG com 32.872 votos. Ele será novato na Casa e se candidatou pela primeira vez neste ano.
Como mostrou O Fator, o partido optou por não lançar chapa para a Câmara dos Deputados nesta eleição. A legenda tem como presidente em Minas o ex-parlamentar da Assembleia, João Júnior, que tentou retornar à Casa neste ano, mas ficou como primeiro suplente.
Ex-partido da mulher
O Democrata substituiu o antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB) no cenário político nacional. O reposicionamento da marca foi comunicado ao TSE em dezembro do ano passado, como mostrou a reportagem.