O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli revogou, na noite dessa quinta-feira (22), a prisão preventiva do empresário Gilberto Henrique Horta Carvalho, último investigado da Operação Rejeito que ainda estava detido. A decisão substitui a custódia por medidas cautelares, em linha com o entendimento do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) aplicado aos demais alvos da investigação.
Entre as restrições impostas, estão a proibição de deixar o país, o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, a vedação de sair da comarca de Belo Horizonte e a proibição de contato com outros investigados.
Gilberto Horta estava detido desde setembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito. O empresário completou 129 dias de custódia nesta semana, enquanto os demais investigados aguardam o andamento do processo em liberdade, mediante cumprimento das mesmas medidas cautelares.
Na quarta-feira (14), o Tribunal Regional Federal (TRF-6) proferiu decisões em que aceitava pedidos de habeas corpus dos investigados. Como cada caso é tratado individualmente, nem todos tiveram a prisão aliviada na mesma hora — o ex-diretor da ANM Guilherme Gomes e o ex-gerente regional da ANM, Leandro César Ferreira de Carvalho, por exemplo, só foram soltos após decisão na última segunda-feira (19).
Segundo a PF, Gilberto teria atuado como uma especia de lobista do grupo investigado, fazendo a intermediação de contatos e negociações entre empresários e agentes públicos.
O habeas corpus apresentado pela defesa de Horta era o último ainda pendente de análise no STF – sendo o único recurso que não chegou a deixar o gabinete de Toffoli, relator da investigação.
As demais decisões, concedidas pelo TRF-6, já haviam beneficiado outros investigados, entre eles o ex-diretor e o ex-gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM), Guilherme Gomes e Leandro César Ferreira de Carvalho, liberados na segunda-feira (19).
Outro investigado, o ex-vice-prefeito de Itaúna Hidelbrando Canabrava, segue foragido. Ele teve o mandato cassado pela Câmara Municipal na semana passada.
Operação Rejeito
A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Poeira Vermelha, investiga um esquema de pagamento de propina e interferência em licenciamentos minerários em Minas Gerais. As apurações envolvem empresários, consultores e agentes públicos sob suspeita de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais.
Parte do inquérito tramita no STF em razão da existência de autoridades com foro privilegiado, entre elas o deputado federal Luiz Fernando Faria. As demais frentes da investigação seguem sob responsabilidade do TRF-6 e da Justiça Federal de Minas Gerais.
