TRE marca data para julgar recursos de vereadores de BH cassados em segunda instância

Processos foram protocolados pelos primeiros suplentes nas chapas do Podemos e da federação PSDB–Cidadania
ângeo e ganem
Os dois parlamentares tiveram a cassação de seus mandatos decidida em segunda instância. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) marcou, para a próxima segunda-feira (28), os julgamentos dos embargos de declaração apresentados pelos vereadores belo-horizontinos Lucas Ganem (MDB) e Leonardo Ângelo (Cidadania). Os dois tiveram os mandatos cassados em segunda instância em 12 de agosto.

Nos dias posteriores ao julgamento, Ganem e Ângelo apresentaram os embargos buscando reverter a decisão. Caso o resultado na semana que vem seja pela manutenção do veredicto, os parlamentares serão notificados sobre a interrupção dos mandatos.

Os autores dos processos de cassação são os ex-vereadores Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão (Podemos), primeiro suplente de Ganem, e Reinaldo de Oliveira Baptista, o Reinaldinho (PSDB), que ficou com a primeira suplência na chapa da federação PSDB–Cidadania nas eleições de 2024.

Fraude em domicílio

Ao registrar sua candidatura, Ganem informou à Justiça Eleitoral que morava em um imóvel no Trevo, bairro da Pampulha. Em depoimento à Polícia Federal (PF), o dono da residência, Grijalva Duarte, disse ter emprestado o endereço apenas para o recebimento de correspondências.

Fernanda Duarte, esposa de Grijalva, informou à corporação que não conhecia Ganem durante a campanha eleitoral de 2024.

Em maio deste ano, o vereador admitiu, durante audiência de uma comissão instaurada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para analisar a possibilidade de cassação, que se mudou para a cidade mais de um mês após se eleger vereador, em novembro de 2024.

O processo acabou sendo arquivado sem ir ao plenário em julho deste ano, após uma série de interrupções judiciais. No mês passado, o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), admitiu a segunda denúncia contra o vereador.

Nos embargos, a defesa de Ganem afirma que, ao apontar fraude, o TRE ignorou a atuação comunitária do parlamentar na capital. Ainda conforme os advogados, o emedebista teve a transferência de domicílio eleitoral homologada pela Justiça Eleitoral sem impugnação dentro do prazo legal. Por isso, sustentam, a questão não poderia mais ser contestada por meio de uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), instrumento usado por Rubão para levar a questão à Corte.

Na petição, a banca voltou a invocar o conceito de “domicílio eleitoral amplo”, invocado ao longo da análise do caso por parte da comissão processante na Câmara.

“Embora tenha atribuído relevo à ausência de residência, deixou de enfrentar os elementos concretamente invocados pela defesa relativos à atuação social e comunitária do Embargante em Belo Horizonte, especialmente sua atuação na causa animal e na defesa das pessoas com transtorno do espectro autista, sem esclarecer por que tais circunstâncias não configurariam vínculo social ou comunitário apto a justificar a escolha do Município”, escreveram.

Contratos com outra chapa

No caso de Leonardo Ângelo, a Justiça Eleitoral confirmou a identificação de uma estrutura de campanha paralela financiada pela candidatura majoritária de Mauro Tramonte (Republicanos) que teria atuado de forma decisiva a seu favor. Segundo a decisão, a engrenagem contou com pelo menos sete coordenadores regionais e mais de 200 apoiadores.

Os coordenadores de campanha confirmaram em juízo que receberam valores de R$ 9 mil pela campanha majoritária para promover a candidatura do vereador. Uma das testemunhas relatou que a justificativa apresentada foi de que a eleição majoritária já estaria “garantida” no 2° turno.

Mensagens de WhatsApp juntadas ao processo mostram o próprio Leonardo Ângelo afirmando a um coordenador que “o Mauro vai bancar um número interessante de liderança para nós”. As provas digitais foram validadas por atas notariais e confirmadas pelos depoimentos testemunhais.

Ângelo contesta o entendimento.

“A decisão será analisada pelos meus advogados, que adotarão todas as medidas jurídicas cabíveis para defender o mandato que me foi democraticamente concedido pela população de Belo Horizonte”, disse, após a decisão ser proferida.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Leia também:

O paradoxo mineiro: por que tecnologia, inovação e negócios precisam entrar no debate eleitoral

TRE marca data para julgar recursos de vereadores de BH cassados em segunda instância

MPF em Minas vai apurar possíveis irregularidades em sistemas de autoexclusão de bets

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse