A comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que passou por Itabira e Belo Horizonte nessa quinta-feira (11) foi um retrato da indecisão do partido sobre a posição que irá assumir na sucessão do governador Romeu Zema (Novo). Deputados petistas que viajaram ao lado de Lula de Brasília (DF) a BH comentaram a O Fator que o clima entre os integrantes da delegação foi de tensão pré-eleitoral.
Durante a viagem, diversas teses sobre os caminhos que o PT pode seguir foram debatidas. O consenso, porém, não aconteceu. Interlocutores próximos ao presidente tentaram convencê-lo, no trajeto da capital federal a Belo Horizonte, a apostar em diferentes fichas, o que ampliou o quadro de incertezas.
Os principais nomes da legenda no estado não escondem internamente a insegurança por seguirem, a menos de um ano do pleito, sem um rumo definido quanto ao candidato do campo político de Lula na corrida pelo Palácio Tiradentes.
Os petistas estão divididos entre intensificar os diálogos com o senador Rodrigo Pacheco e o ministro de Minas de Energia, Alexandre Silveira, do PSD, o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite, e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, do MDB, e o ex-prefeito da capital, Alexandre Kalil (PDT).
Há ainda uma corrente que defende uma candidatura própria. Neste cenário, os nomes mais citados seguem sendo os da prefeita de Contagem, Marília Campos, pré-candidata ao Senado, e da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão. A ideia de lançar uma chapa encabeçada por um nome petista, contudo, tem perdido força.
Pelo que apurou a reportagem, contra o apoio a Gabriel Azevedo, por exemplo, pesa o fato de os principais caciques do PT no estado não manterem uma convivência política consolidada com o ex-vereador belo-horizontino.
Com o também emedebista Tadeu Leite, o presidente Lula aproveitou a visita a Minas para iniciar um processo de aproximação.
Conforme mostrou O Fator, aliados de Pacheco avaliam que o momento de lançar o ex-presidente do Congresso Nacional ao governo de Minas “já passou’. Ao mesmo tempo, o entorno de Alexandre Silveira trabalha para que o ministro não se candidate no pleito do próximo ano e cumpra uma missão interna na coordenação da campanha à reeleição de Lula
Em relação a Kalil, petistas têm repetido que a reedição da aliança de 2022 com o ex-prefeito de BH está distante.
Procura-se um caminho
Neste sábado (13), o diretório do PT mineiro, presidido pela deputada estadual Leninha, reúne-se em um hotel na região central de Belo Horizonte para avançar na busca por um consenso. Têm participação confirmada no encontro os representantes das bancadas petistas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).