Entre impostos altos e prioridades erradas, Minas perde competitividade

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Mais de um terço da renda mensal dos mineiros é consumido hoje pelo pagamento de impostos diretos e indiretos. Algo entre 33% e 38% do salário que você recebe no fim de cada mês — ou do valor pago por um produto ou serviço — vai para os cofres públicos. Uma realidade que compromete diretamente o poder de compra da população, sobretudo dos que ganham menos, e que está longe de mudar, mesmo após a recente aprovação da reforma tributária pelo Congresso Nacional.

A mudança no modelo tributário, vendida como solução para acabar até 2032 com a guerra fiscal entre os estados, pode, na prática, ampliar o desequilíbrio regional. Minas Gerais corre o risco de perder competitividade na atração de investimentos sem o recurso das isenções fiscais, especialmente por não ter priorizado, nos últimos anos, os investimentos em infraestrutura e logística.

Embora os mineiros disponham hoje da maior malha rodoviária do país, com 272 mil quilômetros de estradas federais, estaduais e municipais, essa vantagem só existe no papel. É preciso considerar as condições de manutenção dessas vias. Apenas para preservá-las, o governo de Minas deveria investir ao menos R$ 2 bilhões por ano. No orçamento de 2026, porém, estão previstos apenas R$ 600 milhões. E os altíssimos pedágios cobrados nas vias privatizadas estão sendo implementados antes mesmo de quaisquer investimentos em duplicação ou na recuperação do asfalto. É o oposto do que vem sendo feito por concorrentes diretos da nossa produção agrícola e industrial, como Goiás, Paraná e São Paulo.

É urgente que esse tema entre de vez no debate eleitoral que se aproxima e será decisivo para definir o nosso futuro. Minas não pode continuar refém de disputas ideológicas nem presa a discussões do passado. Precisamos é de propostas concretas para mudar a nossa realidade. E isso passa, necessariamente, por uma revisão de prioridades pelo governo estadual.

O que se vê hoje é o avanço de decisões tomadas dentro de gabinetes em Belo Horizonte, desconectada da realidade do restante do Minas. Assim, os mineiros do interior seguem relegados à própria sorte — ou ao esforço cada vez maior das prefeituras para dar conta de novas obrigações, com o aval do Congresso Nacional e sem indicação de fontes de financiamento.

Esse cenário agrava ainda mais a distorção na divisão do bolo tributário nacional. De tudo o que o contribuinte paga em impostos no país, 90% fica em Brasília ou na capital do estado, e os municípios precisam se virar para atender às demandas diretas da população com os 10% restantes. Uma conta que não fecha e penaliza justamente quem paga o tributo, pois é justamente na cidade que a vida acontece.

Chegou a hora de reequilibrar esse jogo e garantir condições reais de desenvolvimento para todos os mineiros, e não apenas para os que vivem na capital. Mais uma vez, estará nas mãos do eleitor o poder de decidir esse futuro.

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