Kertzman, opinião: pesquisa para a PBH com Engler e Correia à frente reflete a realidade?

Deputado estadual e pré-candidato pelo PL tem 31% das intenções de voto, e deputado federal e pré-candidato pelo PT, 16,4%
bruno engler e rogerio correia
Engler com 31% das intenções de voto e Correia com 16,4%, segundo pesquisa, são favoritos à PBH (Guilherme Dardanhan/ALMG e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Atlas Intel, em parceria com a CNN, mostrou que a eleição de Belo Horizonte pode estar caminhando para a mesma polarização observada em 2022 nas eleições presidenciais.

É importante reforçar que não se trata de enquete, mas de pesquisa eleitoral – devidamente registrada no TSE -, sob a metodologia RDR (Recrutamento Digital Aleatório), com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança da margem de erro de 95%.  

POLARIZAÇÃO

Porém, a despeito da inequívoca polarização eleitoral, superando, inclusive, a barreira da política, como bem mostra o livro “Biografia do Abismo” (Felipe Nunes e Thomas Traumann), os números apresentados podem estar, digamos, superlativizados.

Atenção: aqui não vai nenhum questionamento, ou dúvida, a respeito da idoneidade, assertividade e capacidade do Instituto, da CNN ou mesmo da amostragem e de seus dados. Apenas uma colocação pessoal  acerca dos achados.

EXPLICO

Conversando com pesquisadores e publicitários – dos bons!! – de BH, entendi que, por se tratar de uma pesquisa com voluntários, através de redes sociais (eu mesmo preenchi o questionário e o enviei pelo Instagram), uma certa distorção poderia ocorrer.

A tendência, nestes casos, é ter os grupos mais organizados e engajados participando de forma mais ativa. É mais do que sabido que, para petistas e bolsonaristas, vibração e disposição para defender e apoiar seus candidatos não faltam.

CENTRO

Neste sentido – e eu sou um exemplo crasso -, eleitores de centro (inclusive centro-esquerda e centro-direita), que preocupam-se mais com ideias e projetos do que com personagens e pautas ideológicas, tendem a se manifestar de forma mais discreta. 

No meu caso, preenchi o questionário, o enviei e pronto. Vida que segue. Já amigos bolsonaristas, por exemplo, fizeram o mesmo, mas não sem antes compartilhar fervorosamente com seus grupos – acredito que, no campo oposto, ocorreu o mesmo.

AQUI É GALO

Sabem aquelas enquetes de internet, “vote no time mais querido do país”, em que votamos e passamos horas enviando para nossos amigos? Pois é. Toda vez, eu voto no Galo – é claro!! – e envio para centenas de atleticanos. É mais ou menos essa a lógica, entendem?

Os extremos políticos do País, e me refiro a extremos mesmo, e não a campos ideologicamente opostos, infelizmente vivem essa guerra de ódio, mutuamente alimentada, diga-se, pois são os favorecidos. E aí mora o perigo da “profecia autorrealizável”.

MESMA MOEDA

Bolsonaristas abominam a hipótese de o deputado federal Rogério Correia, do PT, se tornar viável na corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte. Hoje, segundo pesquisas tradicionais, o petista não passaria de “traços” nas intenções de voto (reparem nas aspas, ok?).

Lado outro, ainda que muito melhor pontuado em todas as últimas pesquisas – com muitos “traços”, hehe – vem o deputado estadual Bruno Engler (PL), e petistas, obviamente, querem ver o Coisa Ruim na PBH, mas jamais o bolsonarista-raiz.

CORRENTE

Assim, organizados e engajados, como já dito, estes pólos dedicam tempo e cliques para promover seus políticos de estimação. Eu, repito, não apenas não faço isso – por qualquer candidato, aliás -, como não gostaria que Engler ou Correia fossem prefeitos de BH.

Candidatos que estão ao centro representam o que desejo para cidade: honestidade, capacidade, boas ideias, gestão de qualidade, experiência, equilíbrio, pluralidade. Fuad, Gabriel, Luísa, Brant preenchem tais requisitos, e um deles recebeu meu voto na pesquisa.

VOTO INÚTIL

Contudo, não dediquei meio segundo sequer, a repassar o questionário adiante. Por isso, muito possivelmente, respeitando, repito, o critério e a credibilidade da pesquisa, intuo que tal cenário, Engler 31% e Correia 16%, esteja superlativizado.

A tal “profecia autorrealizável” vem de situações assim. Quando todos pensam que uma eleição encontra-se restrita a dois candidatos opostos, a rejeição sobre ambos faz com que um alimente o voto no outro. A escolha se dá não por predileção, mas por rejeição.

ENCERRO

Esquerda, direita e centro são espectros políticos legítimos em qualquer sociedade democrática. Todos os campos e ideologias têm defeitos e qualidades, erros e acertos. O extremismo é que traz danos irreparáveis e só produz más administrações.

Na falta de boas propostas e bons projetos, direita e esquerda uniram-se pela “causa” do medo, do terror, e aprisionaram mais da metade do eleitorado em um labirinto danoso. Temos votado contra alguém, e não a favor de um propósito comum. Isso precisa mudar.

Se há polarização, cabe a nós, eleitores, distensionar a corda e buscar o equilíbrio. Inflar um candidato, ou outro, contra um candidato, ou outro, não nos trará ganhos, mas perdas. Lado outro, aos extremos inflados, só ganhos. É mesmo isso que você, leitor amigo, leitora amiga, querem para BH? 

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse