A Rádio Itatiaia, onde trabalhei e por quem tenho o maior carinho e respeito, demitiu o nosso mais que querido Paulo Azeredo. Não por incompetência, má-fé ou quebra de contrato. Foi por ter dito, sem qualquer intenção de ofender, num intervalo de programa, algo que milhões de torcedores brasileiros, inclusive cruzeirenses, já disseram – e com bem menos filtro – sobre Gabigol.
A fala vazou, o Cruzeiro, de forma infantil, reclamou, e a Itatiaia sucumbiu à virulenta patrulha seletiva.
Paulinho é um rapaz maravilhoso, pra lá de decente, íntegro, culto, sensível, respeitado. Profissional e chefe de família da melhor qualidade. Em um ambiente saturado de egos inflados e opiniões vazias, como a imprensa brasileira em geral, ele é exceção.
Jornalista com J maiúsculo
Azeredo não é estrela, é conteúdo. Não é lacração, é apuração. E, principalmente, é gente nossa, de Belo Horizonte. Daquelas que fazem parte da cidade, dos bastidores, das coberturas, dos corredores de estádios e das conversas de boteco. É o exemplo de imprensa que ainda é imprensa, e não mera assessoria de clube ou robô de rede social.
Já Gabigol, com todo respeito ao seu futebol (quando o joga), é um personagem histriônico, provocador, especialista em criar casos e colecionador de punições. Jogadores assim passam. Paulinho fica. A história da imprensa esportiva mineira é feita por gente como PA, e não por estrelas de aluguel que, ao menor aceno de um bom contrato, abandonam camisa, torcida e clube.
O que Paulinho disse – em off, numa resposta banal, trivial, para um colega num intervalo – foi apenas a tradução coloquial de uma percepção amplamente disseminada no meio esportivo. Se jornalistas forem demitidos por bate-papos privados e informais, então que se tranque as redações e se entregue o microfone à Inteligência Artificial. Aliás, até ela saberia que “babaca” é um eufemismo perto do que torcedores e jogadores dizem em campo, nas arquibancadas e nas redes.
Boa sorte, Paulinho
Espero, do fundo do coração, que essa situação seja revista – por todos! Adoraria ver meu amigo querido de volta à sua – minha e nossa – Rádio tão querida.
De qualquer forma, profissional dessa grandeza, não se encontra por aí.
Que Cruzeiro, Gabigol, Itatiaia, torcedores e Paulinho sigam bem, e em paz. Se possível, à parte dessa odienta lacração digital.