Paulinho Azeredo e a hipocrisia da indignação seletiva

Que Cruzeiro, Gabigol, Itatiaia e Paulinho sigam bem, e em paz. Se possível, à parte dessa odienta lacração digital
Foto mostra bola de futebol
Foto: Fernando Torres/CBF

A Rádio Itatiaia, onde trabalhei e por quem tenho o maior carinho e respeito, demitiu o nosso mais que querido Paulo Azeredo. Não por incompetência, má-fé ou quebra de contrato. Foi por ter dito, sem qualquer intenção de ofender, num intervalo de programa, algo que milhões de torcedores brasileiros, inclusive cruzeirenses, já disseram – e com bem menos filtro – sobre Gabigol.

A fala vazou, o Cruzeiro, de forma infantil, reclamou, e a Itatiaia sucumbiu à virulenta patrulha seletiva.

Paulinho é um rapaz maravilhoso, pra lá de decente, íntegro, culto, sensível, respeitado. Profissional e chefe de família da melhor qualidade. Em um ambiente saturado de egos inflados e opiniões vazias, como a imprensa brasileira em geral, ele é exceção.

Jornalista com J maiúsculo

Azeredo não é estrela, é conteúdo. Não é lacração, é apuração. E, principalmente, é gente nossa, de Belo Horizonte. Daquelas que fazem parte da cidade, dos bastidores, das coberturas, dos corredores de estádios e das conversas de boteco. É o exemplo de imprensa que ainda é imprensa, e não mera assessoria de clube ou robô de rede social.

Gabigol, com todo respeito ao seu futebol (quando o joga), é um personagem histriônico, provocador, especialista em criar casos e colecionador de punições. Jogadores assim passam. Paulinho fica. A história da imprensa esportiva mineira é feita por gente como PA, e não por estrelas de aluguel que, ao menor aceno de um bom contrato, abandonam camisa, torcida e clube.

O que Paulinho disse –  em off, numa resposta banal, trivial, para um colega num intervalo – foi apenas a tradução coloquial de uma percepção amplamente disseminada no meio esportivo. Se jornalistas forem demitidos por bate-papos privados e informais, então que se tranque as redações e se entregue o microfone à Inteligência Artificial. Aliás, até ela saberia que “babaca” é um eufemismo perto do que torcedores e jogadores dizem em campo, nas arquibancadas e nas redes.

Boa sorte, Paulinho

Espero, do fundo do coração, que essa situação seja revista – por todos! Adoraria ver meu amigo querido de volta à sua – minha e nossa – Rádio tão querida.

De qualquer forma, profissional dessa grandeza, não se encontra por aí.

Que Cruzeiro, Gabigol, Itatiaia, torcedores e Paulinho sigam bem, e em paz. Se possível, à parte dessa odienta lacração digital.

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