Quando a balança pende sempre para um lado

Foto: Agência Brasil

“Doutor, eu não aguento mais explicar!”

A Jéssica realizou o sonho de comprar um carro zero quilômetro, mas o que deveria ser motivo de alegria virou frustração. Em poucos meses, o veículo começou a apresentar defeitos graves: pane elétrica, cheiro de queimado, vidro travado e o carro parando sozinho no meio da rua. Foram quatro reboques e nenhuma solução por parte da concessionária! O problema, nessas horas, não é só o defeito. Defeito se conserta. O que desgasta é a enrolação, a promessa vazia, o jogo de empurra empurra, a explicação que precisa ser repetida como se o consumidor estivesse inventando. É quando a pessoa percebe que está gastando energia demais para ser tratada com seriedade e respeito.

Já a Dayse, mãe solo, faxineira, daquelas que saem cedo e trabalham o dia todo, acreditou numa promessa de bolsa de estudos gratuita para o filho. Chegando lá, empurraram um curso de R$ 5 mil, cobraram R$ 375 pelos livros e ainda fizeram a criança assinar contrato! Quando ela tentou cancelar, cobraram multa de R$ 850 de multa e colocaram o nome dela no Serasa!

Quantas Jéssicas e Dayses carregaram sozinhas esse peso? Por falta de conhecimento, tempo ou recursos, o consumidor geralmente fica com o prejuízo e a sensação de impotência absoluta. Isso sempre me incomodou.

Começou com o nascimento da Mariazinha, minha filha mais velha. Quem é pai de criança com doença rara sabe que o caminho do cuidado, no Brasil, pode ficar estreito de um dia para o outro: negativa mal explicada, pedido de documento sem sentido, tratamento interrompido por burocracia. Vi famílias inteiras atravessando angústia e desespero — mães e pais obrigados a brigar na Justiça, cuidar do filho e trabalhar, quase a ponto de enlouquecer.

Foi por isso que tomei uma decisão pessoal e profissional: eu precisava me preparar mais, me especializar, entender o sistema. E assim chegamos à televisão e às rádios: para transformar problemas reais em soluções. O Blitz nasce desse lugar — da vida real, do consumidor que paga e não recebe, da família no limite que ainda precisa virar especialista em norma para conseguir um direito básico.

O processo não é simples: recebo a denúncia, peço a documentação comprobatória, analiso cada um dos documentos, vejo as tentativas de contato. O Blitz só entra em ação quando a empresa de fato escolheu negligenciar o cliente. Não há sede de barraco, confusão ou vontade de expor ninguém. Mas há, sim, um anseio sincero de resolver o problema de quem muito já esperou.

Eu conheço de perto os muitos desafios do empreendedor. De verdade. Sei da realidade de quem abre empresa, investe, arrisca, lida com tanta burocracia e um impostômetro infinito e ainda assim gera emprego e oportunidade. Não romantizo a vida de quem empreende no Brasil. Mas numa relação de consumo, quem compra é a parte mais fraca. Ele chega sozinho. Do outro lado, existe estrutura, departamento, roteiro de atendimento, cláusula, contrato, call center, jurídico. A balança pesa sempre para um lado.

O Código de Defesa do Consumidor existe para equilibrar essa balança. Para exigir informação clara, coibir prática abusiva, garantir reparo, troca, devolução, responsabilização. E o Blitz existe para traduzir isso para o dia a dia, sem juridiquês e sem rodeio. Para que o cidadão saiba o que pode exigir. E para que o empreendedor entenda que resolver é melhor do que empurrar o problema. Muitos empresários, inclusive, me agradecem depois da abordagem. Foi o caso de uma dona de academia, em Ibirité. Para ela, o Blitz serviu como um alerta: a operação não estava redonda e ela precisava urgentemente de ajustes. E corrigir a rota para evitar novos problemas é um passo importante.

Deixo um recado para quem vende e presta serviço: não espere a reportagem para resolver. Nenhum caso chega até nós sem que o cliente já tenha tentado de tudo — mensagens, ligações, pedidos. Quando o fornecedor escolhe empurrar, a conversa muda de lugar: vai para a imprensa ou para a Justiça. E aí o custo é sempre maior. Resolver antes é maturidade e cuidado com o próprio negócio. Um contrato não pode valer mais do que a vida. A burocracia não pode valer mais do que a necessidade. E a parte mais fraca não pode e não vai ficar sozinha.

Seja nas rádios, na TV ou fora dos veículos de imprensa, eu permaneço aqui, fazendo o que sempre me moveu: resolver o problema real das pessoas, com firmeza e justiça. O Blitz, no fim do dia, não é contra ninguém! É a favor de quem precisa!

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