PCC: em alguns anos, já não haverá separação entre crime e Estado

O Poder Público vem fazendo muito pouco, ou quase nada, para combater o crime organizado no País
Os pivetes cresceram e hoje tomam conta de boa parte do Brasil
Os pivetes e trombadinhas cresceram, e hoje tomam conta de boa parte do Brasil (Foto: Reprodução/Google)

O mega empresário Benjamin Steinbruch, dono da CSN, declarou em uma conferência de um grande banco, em Nova York, que está bastante pessimista com o Brasil, e dentre os motivos destacou o poderio cada vez maior do crime organizado no País, principalmente o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Trata-se de uma facção criminosa altamente organizada e perigosa – uma das três maiores do mundo ao lado das máfias japonesa e italiana, e dos cartéis de drogas do México, com tentáculos que se espalham por todos os estados brasileiros e por 23 países pelo mundo, faturando cerca de 1 bilhão de dólares (mais de 5 bilhões de reais).

DEIXARAM CRESCER

Há 30 anos, quando surgiu em São Paulo, a partir de 8 traficantes presos, o PCC faturava pouco mais de 5 milhões de reais em valores atualizados. Hoje, possui cerca de 100 mil colaboradores, espalha-se pelos três Poderes e atua cada vez mais forte na economia formal, sobretudo postos de combustíveis e empresas de ônibus.

Só no estado de São Paulo, a quadrilha conseguiu contratos públicos superiores a 315 milhões de reais nos últimos 8 anos, em 25 cidades. Na capital, em 2023, duas empresas de transporte, ligadas aos criminosos, faturaram, juntas, mais de 800 milhões de reais. E o governador Tarcísio de Freitas estima que a facção opere 1.1 mil postos de combustíveis.

NÚMEROS ESPANTOSOS

Aproximadamente 2/3 do faturamento vem do tráfico de drogas. Estima-se que o PPC exporte, somente pelo porto de Santos, cerca de 15 toneladas anuais de cocaína, que equivalem a 60% de toda a quantidade que sai do País rumo à Europa. É tanto dinheiro, que os chefões deixaram de cobrar a mensalidade de seus próprios traficantes.

A droga é camuflada em praticamente tudo o que se envia a partir de Santos: café solúvel, tripa de boi, amendoim, carne de frango congelada, biscoito de polvilho, açúcar. Até mesmo mergulhadores são usados para embarcar drogas secretamente nos navios, fugindo da fiscalização policial e dos aparelhos de raio X.

PODRES PODERES

O Poder Público vem fazendo muito pouco, ou quase nada, para combater o crime organizado no País. Há décadas nos faltam política de Estado, vigilância de fronteiras, investimento em inteligência, cooperação entre as polícias Civil e Militar. Nem mesmo armamentos conseguimos ter em quantidade e qualidade suficientes.

Olhando para trás, projetamos um futuro sombrio. Os pivetes e trombadinhas dos anos 1980 e 1990 cresceram, e hoje não nos assaltam com canivetes, mas com fuzis. O crime organizado deixou de se restringir a bicheiros fluminenses e passou a operar nacional e internacionalmente, como já exposto acima.

ENCERRO

Infiltrado, principalmente, no legislativo e judiciário, o crime organizado participa ativamente da política brasileira, elegendo parlamentares e cooptando magistrados. Noves fora nada, daqui a alguns anos, não é exagero imaginar que prefeitos, governadores, ministros do STF e até mesmo presidentes da República poderão ser oriundos do PCC.

Japão e Itália foram assolados, décadas e séculos atrás, pelo crime organizado. Os Estados Unidos, do início dos anos 1900, também. Hoje, não se livraram totalmente de suas máfias e gangues, mas frearam seu crescimento vertiginoso e impediram a cooptação total das instituições. Se o Brasil continuar na mesma toada, em mais alguns anos, já não haverá separação entre crime e Estado.

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