Taxação de 50% e oportunidades

Por que a crise comercial pode ser o estopim para a presença estratégica de empresários brasileiros nos EUA
Foto: Agência Brasil

A recente decisão do governo americano de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta no setor produtivo nacional. No entanto, para empresários com visão global, a medida vai além de uma barreira: representa uma oportunidade estratégica de reposicionamento internacional.

Em tempos de crise, quem compreende a lógica do comércio internacional e o funcionamento das cadeias globais de valor enxerga mais que obstáculos, vê atalhos para competitividade, expansão e presença em mercados-chave.

A medida protecionista e a resposta estratégica

Embora, à primeira vista, a taxação prejudique exportadores brasileiros especialmente nos setores de aço, alumínio, alimentos e manufaturados, ela também revela uma tendência cada vez mais comum entre empresas de diversos países: instalar operações diretamente nos Estados Unidos.

Essa estratégia não apenas contorna as barreiras tarifárias, como também permite acesso direto ao maior mercado consumidor do mundo, com:

  • Mais de US$ 18 trilhões em gastos anuais das famílias americanas (68% do PIB dos EUA);
  • Aproximadamente 335 milhões de consumidores com alto poder aquisitivo.

O impacto da taxação: desafio ou catalisador?

Com tarifas de até 50%, produtos brasileiros perdem cerca de 40% de competitividade no preço final nos EUA. Isso pode inviabilizar operações consolidadas e bloquear novas exportações.

Por outro lado, internalizar a operação nos Estados Unidos surge como solução inteligente e proativa.

Empresários que abrem unidades produtivas, comerciais ou logísticas nos EUA podem:

  • Evitar tarifas, ao produzir ou distribuir localmente;
  • Ganhar eficiência logística, com entregas mais rápidas e menor custo de transporte;
  • Aumentar margens, vendendo diretamente ao consumidor final.

Estabelecimento nos EUA: tendência com apoio institucional

De acordo com o SelectUSA, programa oficial americano de atração de investimentos, o Brasil é um dos países que mais abriu subsidiárias nos EUA na última década, com mais de US$ 40 bilhões investidos em ativos e operações.

Essa movimentação é reforçada por estados como Texas, Flórida, Carolina do Norte e Geórgia, que oferecem:

  • Incentivos fiscais;
  • Infraestrutura logística de ponta;
  • Acesso facilitado à capital humano e fundos de investimento.

Não é apenas sobre impostos é sobre posicionamento global

A taxação é só o gatilho. O que está em jogo é a relevância internacional do empresário brasileiro nos próximos anos. Estar nos Estados Unidos não é mais uma opção de expansão é uma necessidade estratégica.

Mais do que contornar tarifas, a presença física no país:

  • Cria pontes com empresas americanas, facilitando joint ventures e escalabilidade;
  • Fortalece a imagem institucional, elevando a reputação da marca no Brasil e no exterior;
  • Destrava novas oportunidades, como contratos públicos, incentivos estaduais e acesso a grandes canais de distribuição.

A hora de agir é agora

O atual cenário global, marcado por disputas comerciais, mudanças regulatórias e tensões geopolíticas, exige que o empresário brasileiro atue com agilidade e visão internacional.

Quem se antecipar ao movimento do mercado e ocupar seu espaço nos EUA sairá na frente com vantagem competitiva sustentável para os próximos anos e décadas.

A crise não precisa ser o fim de um ciclo de exportação, pode ser o início de um novo capítulo: o da internacionalização inteligente.

Para quem sabe usar a inteligência comercial como bússola, essa pode ser a hora de dar o próximo grande passo. Todo movimento de incertezas políticas geram oportunidades, sai na frente aquele que se prepara primeiro, afinal de contas você não pode controlar o que acontece com você, mas pode controlar como reagirá a nova realidade.

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