O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode voltar a Minas Gerais em maio. O planejamento de viagens para o mês, elaborado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, considera a possibilidade de agenda em Mariana, na Região Central do estado, no próximo dia 16.
Segundo o documento, obtido por O Fator, a ideia é que o presidente participe de uma cerimônia para anúncios relativos ao acordo de repactuação da tragédia de Mariana, assinado em novembro do ano passado. A viagem, entretanto, ainda está no campo das possibilidades. O martelo não foi batido.
O plano de anúncios ligados à repactuação também engloba uma passagem de Lula pela cidade capixaba de Linhares. O Espírito Santo, assim como Minas Gerais, foi afetado pelo derramamento dos rejeitos da barragem de Fundão, em 2015.
Ainda conforme apurou a reportagem, a possibilidade de uma visita do presidente a Mariana faz com que interlocutores do PT mineiro tentem organizar uma passagem da comitiva presidencial por Belo Horizonte. As chances de uma ida à capital mineira, entretanto, são tratadas com pessimismo.
Uma eventual passagem de Lula por BH, inclusive, foi debatida por vereadores do PT com o prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Uma hipótese, discutida em Brasília (DF) dias atrás durante uma entre Damião e ministra-chefe da secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), é que o presidente realize a entrega simbólica de máquinas agrícolas no terreno do antigo Aeroporto Carlos Prates.
O evento estava inicialmente programado para o fim de abril, na área das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa), em Contagem, mas foi adiado por causa da viagem da comitiva presidencial até Roma para o funeral do Papa Francisco.
Acordo de Mariana
O acordo de repactuação de Mariana tem, como participantes, 20 das 38 cidades de Minas afetadas pelo desastre de Fundão. O trato prevê o aporte de mais de R$ 130 bilhões, ao longo de 20 anos
O novo contrato estabelece que R$ 100 bilhões serão direcionados aos entes públicos para projetos ambientais e socioeconômicos, incluindo programas de transferência de renda. Adicionalmente, a Samarco deve investir R$ 32 bilhões em ações de recuperação ambiental, reassentamento e indenizações, além de R$ 8 bilhões específicos para comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.
A repactuação foi firmada entre os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, a União e as empresas Vale, Samarco e BHP.