Cleitinho em seu labirinto: só sei que nada sei

Hoje, o senador encontra-se na confortável posição de cobrar e jamais ser cobrado
Virginia Fonseca e Cleitinho
Virginia Fonseca e Cleitinho na CPI das Bets: circo, não. Reprodução/TV Senado/YouTube

Cleiton Gontijo de Azevedo, o senador Cleitinho (Republicanos), não é burro nem bobo, muito antes pelo contrário. E pobre do sabichão que desprezar sua capacidade de raciocínio rápido, comunicação eficaz e sintonia fina popular. Ninguém se elege senador por Minas, com mais de 4 milhões de votos, por acaso.

Uma das qualidades do rapaz é reconhecer suas limitações intelectuais e culturais. Neste sentido, custo a acreditar que irá, de fato, se aventurar em uma candidatura ao governo do estado. Cleitinho sabe que não reúne as mínimas condições para tanto. E sabe, também, que ser pedra é muito melhor que vidraça.

Uma coisa é sacar o smartphone, de forma costumeiramente irresponsável, oportunista e demagógica, pinçar um monte de informações e fatos relevantes, misturar tudo e embalar em um vídeo sensacionalista de TikTok, apontando o dedo acusador – sem jamais oferecer solução – e lacrar na internet. Outra, é tornar-se alvo.

Trem de doido

Minas Gerais é o segundo estado mais populoso da federação e com o maior número de municípios. Carrega um endividamento de mais de 160 bilhões de reais, uma máquina pública complexa, engessada por leis, fisiologismo e corporativismo, espremido entre dois Poderes gulosos, perdulários e pouco colaboracionistas.

Altamente dependente de commodities agrícolas e pecuárias, palco de toda sorte de lobbies poderosíssimos, dono de uma das piores infraestruturas viárias do país, sem representatividade política federal e geralmente só lembrado, de quatro em quatro anos, quando candidatos ao Planalto não saem daqui.

É sério que Cleitinho imagina-se sentado à mesa no Tiradentes, diante de planilhas, planos, orçamentos, contas, cercado de técnicos e burocratas, discutindo temas que desconhece solenemente e ouvindo palavras – capex, budget, forecast, stakeholders, valuation – que lhe fazem tanto sentido quanto me faz a ilíada de Homero?

Fora do penico

O que faria nosso valente tiktoker diante das carências do estado e da má prestação de serviços essenciais? Gravaria e publicaria um vídeo, criticando a si mesmo? Investiria contra o funcionalismo, a Assembleia, o Judiciário e se tornaria uma espécie de Fernando Collor da era digital – um exército de um homem só?

O cidadão indignado gosta e aplaude quem critica e acusa o Estado. Porém, o mesmo cidadão não quer saber de quem é a culpa. Quer solução. Hoje, o senador encontra-se na confortável posição de cobrar e jamais ser cobrado. Uma vez no comando do Executivo mineiro, terá de “se virar nos 30”. Sem experiência e sem dinheiro.

Irá ao exterior em busca de comércio e investimento? Sentar-se-á junto a bancos e multinacionais gigantes e negociará o quê? Uma foto com Elon Musk? Uma das regras imutáveis – justa ou não – da vida é: cada um no seu quadrado. Quase ninguém tem a habilidade de Cleitinho para pedir e ganhar votos. Que entenda o seu quadrado e não se aventure fora dele.

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