A corrida pela presidência do PT em Minas Gerais tem gerado ruídos inclusive no diálogo entre aliados de primeira hora. Prova disso é que a prefeita de Contagem, Marília Campos, não gostou do apoio da vereadora contagense Adriana Souza à candidatura da deputada estadual Leninha ao comando da sigla. Marília queria que a parlamentar, tida como sua pupila política, caminhasse ao lado da chapa da deputada federal Dandara Tonantzin.
Segundo O Fator apurou, Marília fez uma espécie de cobrança a Adriana pela decisão de apoiar Leninha. A reprimenda foi dada no último dia 9, de forma reservada, em meio a um debate sobre políticas públicas para mulheres em Contagem.
Segundo interlocutores do PT de Contagem ouvidos pela reportagem, Marília cobrou lealdade de Adriana e um maior alinhamento a seu grupo político.
Costura complexa
A costura que levou Marília Campos ao palanque de Dandara Tonantzin na eleição do PT mineiro foi para lá de complexa. A prefeita da cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tem dissonâncias com o atual presidente da sigla, Cristiano Silveira, que seria candidato à reeleição pela corrente de Dandara.
Cristiano, entretanto, abriu mão da empreitada para apoiar a deputada federal. Foi a partir daí que Marília Campos passou a se engajar na campanha.
Na coletiva de imprensa que confirmou o nome de Dandara como candidata à presidência do PT Minas, Marília se fez representar por ninguém menos que o seu esposo, o economista José Prata, secretário-geral do diretório do PT de Contagem.
Adriana, por sua vez, passou a receber cobranças por causa do apoio a Leninha. Aliados de Marília afirmam que, sem o apoio da prefeita, a vereadora dificilmente teria conquistado um assento na Câmara Municipal.
Na campanha municipal do ano passado, Adriana Souza foi apoiada por José Prata e por outras lideranças do entorno de Marília. Eleita com 8,2 mil votos, ela conquistou o melhor resultado de uma mulher na disputa por cadeiras no legislativo local.
Em resposta a O Fator, Adriana negou qualquer rusga com a prefeita, apontando que, sobre o PED, ela e a prefeita não haviam conversado.
“Até porque ela sempre manteve uma distância salutar das disputas internas do partido. No meu caso, sou dirigente de uma tendência que estadualmente e nacionalmente estarão em campos diferentes da tendência majoritária do PT de Contagem (a Tribo). E nas conversas com o partido em Contagem, nos comprometemos com a unidade no âmbito municipal apenas”, disse a vereadora.
Ao final, Adriana reiterou seu alinhamento com a prefeita.
“Sigo identificada e defendendo a política vitoriosa de Marília em Contagem, onde quer que eu esteja. Afinal tivemos uma grande lição: não é a polarização e sim a esperança e um projeto de cidade que podem vencer e isolar a extrema direita em uma cidade do tamanho da nossa”.
A reportagem também procurou Marília Campos. Caso ela se manifeste está matéria será atualizada.
