Rodrigo Pacheco crava que deixará a política e descarta candidatura ao governo de Minas

Senador disse que está “fechando o ciclo”, sinalizou retorno à advocacia e afirmou que outros nomes vão liderar disputa no estado
Na foto, o senador Rodrigo Pacheco durante discurso
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) anunciou que está deixando a vida política. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta sexta-feira (29) que vai deixar a vida política e não pretende disputar novos cargos eletivos, indicando que seu ciclo de 12 anos na atividade pública será encerrado ao fim do atual mandato.

A declaração foi feita durante evento com empresários em São Paulo e reforçada em entrevista posterior, na qual o parlamentar também sinalizou que deve retomar integralmente a carreira na advocacia.

“Eu tenho 12 anos de vida pública, fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos, tenho uma vida plenamente realizada e é sempre um momento de avaliar ciclos. Há o fechamento do ciclo na política, que decidi fazer, com sentimento de dever cumprido, muitas realizações e um coração muito tranquilo em relação a essa decisão”, declarou.

Segundo Pacheco, a decisão de não permanecer na política foi planejada previamente e está mantida mesmo diante de articulações que o colocavam como possível candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Ele era considerado o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa estadual.

“Se eu estou fechando o ciclo da política, é naturalmente para que outros nomes possam surgir e liderar esse processo”, disse. Ele afirmou ainda que deixa a vida pública com “sentimento de dever cumprido” e confiança na continuidade da representação política do estado.

Ao justificar a decisão, o senador afirmou que sempre considerou a atuação política como temporária. “Eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que eu não me eternizaria na política, eu tenho muito desapego a poder”, disse. Ele completou que não depende da atividade pública para sua subsistência: “Felizmente, não preciso da política para viver, para sobreviver”.

Fala a empresários

Durante o evento promovido pelo grupo Lide, Pacheco adiantou que sua atuação profissional passará a ser exclusiva na área jurídica. “Em breve será só o direito”, disse, ao mencionar sua trajetória atual dividida entre a advocacia e a política.

O senador também declarou que este é seu “12º e último ano na política”, ao fazer um balanço da atuação no Congresso Nacional. Ele ocupou a presidência do Senado entre 2021 e 2025 e citou que teve participação em pautas legislativas prioritárias no período, como o Refis e a Reforma Tributária.

“Me refiro a 12 anos porque é o tempo que eu tenho de política — estou no meu 12º e último ano da política — e essas pautas foram pautas de prioridade do Congresso Nacional nesses tempos”, afirmou.

Ida para o TCU

Nos bastidores, a saída de Pacheco ocorre em meio a movimentos políticos que buscavam mantê-lo em funções públicas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a possibilidade de indicá-lo para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), que pode ser aberta com a eventual aposentadoria do ministro Bruno Dantas.

O parlamentar, no entanto, não confirmou interesse no posto: “Não tenho nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em Tribunal Superior, inclusive o Supremo Tribunal Federal. Se isso foi cogitado em algum momento, isso foi bem resolvido, é uma página virada e não tem nenhuma expectativa nesse sentido”, declarou.

Outros nomes em Minas

Pacheco indicou que sua saída abre espaço para novas lideranças em Minas Gerais e citou nomes que, segundo ele, têm condições de disputar cargos majoritários no estado, como o empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp) Josué Gomes; o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares; e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, a quem classificou como uma candidatura consolidada ao Senado.

“Quando se chega à conclusão que o ciclo da política fechou, é difícil a gente opinar sobre nomes”, afirmou o senador ao comentar o cenário eleitoral mineiro. Ele acrescentou que pretende se afastar de decisões sobre candidaturas, defendendo que novos quadros assumam a condução política no estado.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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