Em tempos de beligerância cada vez mais acirrada sobretudo nas redes sociais, que falta nos faz a serenidade de um mineiro da estatura de Tancredo Neves, símbolo de uma era de respeito pelas divergências e da fecunda convivência entre adversários, preocupados com o bem comum.
Tancredo costumava dizer que, na política, brigam as ideias e não os homens. A cada dia, ao contrário da sua pregação, entretanto, multiplicam-se os exemplos da incapacidade de estabelecer um debate franco, honesto e respeitoso sobre propostas para melhorar a qualidade de vida das pessoas no âmbito da gestão pública.
É o que está acontecendo nos últimos dias com a tentativa de explorar negativamente um encontro que mantive, na posição de ministro de Estado, com o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, em meu gabinete em Brasília, ambos de partidos diferentes. Infelizmente, as mídias digitais se tornaram terreno propício para a propagação de especulações descabidas e a veiculação de insanidades.
O vice-governador trouxe uma comitiva de deputados e prefeitos do Sul de Minas, também de diferentes partidos, para encontrarmos caminhos que acelerem a implantação de um gasoduto na região. Participaram ainda representantes de empresas, como a estatal Gasmig. A obra dará um grande impulso ao desenvolvimento local, proporcionando geração de emprego para as pessoas, renda para as famílias e mais oportunidades de negócios para empreendedores de pequeno porte. Estamos resolvendo a sua viabilização. Tratou-se de uma reunião oficial do ministério, de caráter técnico e divulgada com transparência.
Seria irresponsabilidade permitir que as diferentes colorações partidárias ali presentes nos impedissem de buscar soluções em parceria para os problemas reais do Sul de Minas – e de qualquer outra região do estado.
Aos críticos desatentos, é oportuno lembrar que o artigo 37 da Constituição Federal determina que a administração pública obedeça, entre outros, ao princípio da impessoalidade. Assim, os gestores públicos estão obrigados a servir ao interesse coletivo, sem favorecimento direcionado a indivíduos, partidos ou empresas específicos. Isso se chama ser republicano – atributo de quem defende a forma de governo que define nosso país.
Essa é a conduta correta e adequada em qualquer instância do setor público, em especial para quem exerce cargos no Executivo. Para ficar em exemplo recente, assim agiram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, quando lançaram um edital para a construção do Túnel Santos-Guarujá.
O gasoduto pretendido pelos porta-vozes ligará o município de Extrema, em Minas, hoje grande polo de desenvolvimento, a Bragança Paulista, em São Paulo. Essa obra está prevista no PAC, lançado pelo presidente Lula.
Iniciativas como essa, que atendem às demandas regionais e trazem nítidos benefícios para a população local, terão acolhida permanente, independentemente da filiação partidária do gestor público que as apresenta. Contem sempre comigo para resgatar os valores republicanos da nossa tradição e a melhorar Minas Gerais por meio do diálogo e da convergência de propósitos.
Desde a juventude, minha vocação é a de servidor público.