Quando o Brasil ocupa a Faria Lima: justiça fiscal ou ruptura?

Manifestantes protestaram na Faria Lima nessa quinta-feira (3)
Manifestantes protestaram na Faria Lima nessa quinta-feira (3). Foto: Frente Povo Sem Medo/Reprodução

Na manhã dessa quinta-feira, 3 de julho, manifestantes ocuparam o prédio do Itaú BBA, na Faria Lima, epicentro financeiro do Brasil. Com faixas exigindo a taxação dos super-ricos, o ato foi muito mais do que uma encenação: foi um alerta. Um país profundamente desigual já não aceita que sua estrutura tributária continue premiando quem tem mais — e penalizando quem vive do trabalho.

A escolha do prédio do Itaú, adquirido por R$ 1,5 bilhão, é emblemática. Enquanto executivos negociam cifras bilionárias, milhões de brasileiros vivem sem acesso pleno a serviços públicos essenciais, em parte porque o Estado abre mão de cobrar justamente de quem mais concentra renda.

E não se trata de discurso ideológico. Um estudo encomendado pelo G20, publicado recentemente, mostra que uma taxa de apenas 2% sobre 3.000 bilionários no mundo — entre eles, cerca de 50 brasileiros — geraria uma arrecadação global de R$ 1,35 trilhão por ano. Isso seria suficiente para transformar políticas de combate à pobreza e desigualdade em todos os continentes.

Justiça fiscal é justiça social

A cobrança de impostos deve seguir um princípio elementar: quem pode mais, contribui mais. Mas no Brasil, o que vemos é o contrário: lucros e dividendos seguem isentos, grandes patrimônios escapam por brechas legais e o peso do financiamento do Estado recai, quase sempre, sobre salários, consumo e pequenas empresas.

É por isso que defendemos uma reforma tributária progressiva e corajosa, com mecanismos que taxem grandes fortunas, heranças milionárias e os verdadeiros privilegiados do sistema. O que está em jogo não é apenas dinheiro — é o pacto de convivência em uma sociedade democrática.

Auditores fiscais: quem arrecada, também defende

No centro dessa engrenagem está o auditor fiscal. Somos os servidores que garantem que a lei se cumpra, que a sonegação seja combatida, que a arrecadação ocorra de forma justa e eficiente. O Brasil não precisa apenas de mais arrecadação — precisa de arrecadação com justiça.

E isso só é possível com administrações tributárias fortes, estruturadas, valorizadas e protegidas de interferências políticas.

Quando o auditor é desvalorizado, o Estado se enfraquece. Quando o fisco é sabotado, a democracia perde um de seus pilares.

O futuro começa com coragem

A ocupação da Faria Lima mostra que a paciência da população chegou ao limite. E a proposta brasileira de tributar bilionários — agora discutida no G20 — aponta que o mundo está, finalmente, reconhecendo a urgência do tema.

Mas é preciso ir além do símbolo. O Brasil precisa de ação. Precisa de justiça tributária. Precisa, sim, tributar os super-ricos. Mas também precisa valorizar quem fiscaliza, arrecada e defende o interesse público.

Auditores fiscais não são burocratas. Somos guardiões da justiça fiscal. E sem justiça fiscal, não há justiça social possível.

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