Peruaçu: lugar da vida e da eternidade

Foto: ICMBio

São poucos os territórios no mundo onde a natureza e o espírito se tocam com tanta delicadeza e força como no Vale do Peruaçu. Agora, o mundo reconhece o que Minas já sabia: o Peruaçu é Patrimônio Natural da Humanidade. Um título que não apenas consagra a beleza de suas formações geológicas, sua biodiversidade exuberante ou sua galeria milenar de arte rupestre — mas que reafirma que ali pulsa um território sagrado, vivo, ancestral.

Com esta conquista, esperemos aconteça sábado próximo em Paris, celebro— com profunda alegria — um percurso construído com dedicação à cultura e ao patrimônio. Em 2016, quando presidia a Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, trabalhamos intensamente pela inscrição da Pampulha como Patrimônio Mundial da UNESCO, um marco da modernidade arquitetônica brasileira. Em 2024, como Secretário de Estado, vivi a alegria de ver reconhecido o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Agora, com o título do Peruaçu, Minas reúne, numa mesma trajetória, a cidade moderna, o saber ancestral e o território da eternidade.

A Pampulha é o traço visionário de Niemeyer e a utopia de Kubitschek. O queijo é o sabor moldado pelo tempo e pelas mãos do campo. Já o Peruaçu é arte sem nome, ciência sem fim, catedral da Terra. Nas paredes das cavernas, o homem pré-histórico riscou o tempo — com símbolos, desenhos, narrativas visuais que nos comovem pela permanência. Ali, a pedra fala.

O Peruaçu não é apenas beleza. É cosmologia em pedra, museu vivo da humanidade, templo de equilíbrio entre o humano e o natural. Suas inscrições rupestres não são apenas registros arqueológicos: são vozes de um passado profundo, memória coletiva da espécie, arte da origem.

É significativo que esse reconhecimento venha do Norte de Minas — região rica e tantas vezes invisibilizada. O título da UNESCO projeta o Peruaçu no mundo, mas também reposiciona o Norte como centro simbólico e espiritual de Minas Gerais, com suas comunidades quilombolas, povos ribeirinhos, guardiões da floresta e da memória.

A cultura não está separada da natureza. Todo território é cultural. Estar no Peruaçu é estar em um lugar onde a natureza não é paisagem, mas presença. Onde o cânion é rito, o rio é memória, a pedra é texto. Como afirmou Octavio Paz, “as culturas não são as respostas: são as perguntas”. O Peruaçu pergunta com imagens, com silêncios, com mistérios.

Agora que o mundo reconhece o Peruaçu como patrimônio, cabe a nós honrar esse legado. Preservá-lo. Compartilhá-lo. Garantir que o turismo seja sustentável, que as comunidades sejam protagonistas, que o desenvolvimento respeite a vida.

O Peruaçu não é apenas um título. É uma dádiva. E uma convocação.

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