Sempre fui um péssimo aluno. Indisciplinado, desatento, preguiçoso. Mas duas características me fizeram ser querido por professores e diretores nas escolas em que estudei: respeito e honestidade. Jamais fui desrespeitoso e jamais menti quando acertadamente era repreendido pelos docentes.
Ainda que jamais fosse um craque a la Hulk, eu era bom de bola. Mas igualmente meio preguiçoso e indisciplinado. Coube a um educador e dublê de treinador, os maiores “esporros” e cascudos – cascudos mesmo! Naquela época não era crime – que levei. Guardo cada um com enormes carinho e saudade.
Olavo Leite “Kafunga” Bastos foi um goleiro e ídolo do Atlético, que ganhou ainda mais fama ao se tornar comentarista esportivo em rádios e televisões de Minas Gerais, durante décadas. Seus bordões moldaram gerações e foram eternizados em transmissões esportivas inigualáveis. Quem são os Cazés diante daqueles caras?
Cascudo de amor não dói
Já Olavo Campos, o “verdadeiro” Kafunga, não foi apenas o educador e treinador que encheu minha calva – àquela época, uma frondosa cabeleira – de cascudos, mas um amigo, um ícone, um exemplo para milhares de crianças e adolescentes que passaram pelo Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte.
Após deixar o CSA e anos sem vê-lo, retomei o contato quando minha filha foi estudar lá. Depois de sua saída (de minha filha para outra escola), o vi rapidamente, por duas ou três vezes, na frente do colégio, em brevíssimos abraços cheios de carinho. Hoje, ao saber de seu falecimento, só me ocorreu o desejo de um último abraço.
Posso dizer que Kafunga, de uma forma ou de outra, se muito ou se pouco não importa, como outros do CSA – Frei Jaime, Frei Aristides, Dona Mara – moldaram o adulto, quase idoso, que sou. Tenho profunda gratidão por isso! Quiçá o Estado entendesse a importância da educação na vida das pessoas, e quiçá todos pudessem ter um Kafunga “no cangote”.