A primeira agenda do novo secretário de Educação de Zema e os pedidos do governador

Rossieli foi anunciado oficialmente na sexta-feira (25) como comandante da pasta pelo governado do Estado
Rossieli deixou a chefia da secretaria de Educação do Estado do Pará em junho Foto: Seduc/Pará

O novo secretário de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, começa a semana com reuniões no Palácio Tiradentes. Anunciado oficialmente na sexta-feira (25), ele tem encontro marcado na terça-feira (30) com o ex-secretário Igor Alvarenga, que participará da transição antes de seguir em um novo cargo no Estado. Conforme apurou O Fator, a troca foi motivada pela insatisfação do governador Romeu Zema (Novo) com os indicadores educacionais mineiros.

Embora Minas acumule, há anos, dados robustos sobre aprendizagem, Zema avalia que as gestões anteriores não teriam conseguido transformar os números em avanços concretos. “O governador entende que Minas tem muitos dados que podem ser analisados para que o estado ocupe uma posição melhor no cenário nacional”, afirma um interlocutor.

Trajetória

Formado em direito e com mestrado em Gestão e Avaliação Educacional, Rossieli tem passagens à frente do Ministério da Educação no governo de Michel Temer, da secretaria de Estado de Educação de São Paulo, Amazonas e Pará, de onde se desligou recentemente.

Em 2023, sob o comando do então secretário, que nasceu no Rio Grande do Sul, o Pará saltou do 26ª para o 6º lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, conforme anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). Minas Gerais ocupa a 13ª posição.

Projeção nacional

Embora fontes garantam que não tenha havido um pedido formal para que Rossieli atue como articulador com outros estados, a nomeação do novo secretário indica uma estratégia do governo Zema de ampliar a projeção nacional da gestão mineira e fortalecer articulações com foco nas eleições de 2026. Ou seja, envolve tanto a candidatura do vice-governador Mateus Simões (Novo) ao governo estadual quanto a de Zema à Presidência da República.

Interlocutores, no entanto, afirmam que o novo chefe da pasta estaria aberto a interceder pelo governador em outras bases, caso seja necessário.

Polêmica

Além da experiência, Rossieli também traz controvérsias no histórico. A gestão dele no Pará enfrentou resistência após sanção de legislação que substituiu o ensino presencial em comunidades indígenas, quilombolas e rurais por aulas híbridas, com um professor auxiliar presencial e as aulas dos especialistas transmitidas pela televisão e pela internet.

Lideranças locais criticaram a medida, alegando que a realidade de regiões sem acesso a energia elétrica ou conectividade foi ignorada. Eles chegaram a ocupar a Secretaria de Educação do Pará.

Interlocutores do atual secretário afirmam que o estopim da manifestação, no entanto, teria sido a alteração da gratificação do Sistema Modular de Ensino (SOME).

A proposta de Rossieli era revogar a gratificação com percentual fixo de 180% sobre o vencimento base, passando a ser calculada conforme o nível de complexidade da função.

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