Ex-ministro de Temer é o novo secretário de Educação de Zema

Rossieli pediu demissão da secretaria de Educação do Pará em junho; Alvarenga costura ida para a Codemge
Rossieli Soares foi ministro da Educação de Michel Temer Foto: Marcelo Camargos/Agência Brasil

O ex-ministro da Educação do governo Michel Temer (MDB), Rossieli Soares, foi anunciado nesta sexta-feira (25) como novo secretário de Estado de Educação de Minas Gerais. Ele substitui Igor Alvarenga, servidor de carreira, que estava no comando da pasta desde 2022. A transição de Alvarenga para Rossieli acontecerá na semana que vem.

A costura para a substituição foi articulada pelo vice-governador Mateus Simões (Novo) e revelada por O Fator em 15 de julho. Agora, o martelo está batido. Alvarenga tem tratativas para assumir um cargo de diretoria na Companhia de de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge). A secretária adjunta da pasta, Fernanda Neves, também está de saída rumo à Codemge.

“Por ter sido professor e diretor de escola na rede estadual, ele (Igor Alvarenga) trouxe a visão de quem entende as necessidades da educação na ponta. Foi com a sua colaboração que chegamos ao topo do ranking de alfabetização do país, ampliamos a política de intercâmbio para todas as escolas de Minas, com o Passaporte Mineiro do Conhecimento, e lideramos a formação profissional de jovens no Brasil com o Programa Trilhas de Futuro”, disse o governador Romeu Zema (Novo), ao confirmar a saída do atual titular da Educação.

Nacionalização

A nomeação de Rossieli sinaliza um movimento do governo Zema para nacionalizar a gestão e reforçar interlocuções de olho no cenário eleitoral de 2026. A alteração no xadrez da Cidade Administrativa envolve tanto a própria candidatura de Simões ao governo do estado quanto a de Zema à Presidência da República. 

Reunião às pressas

Alvarenga foi chamado às pressas para uma reunião na manhã do último dia 15, no Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, com o vice-governador. Ele estava em agenda oficial em Juiz de Fora para vistoriar escolas. Segundo fontes ouvidas por O Fator, o encontro foi tenso. Após a reunião, o então secretário retornou à cidade na Zona da Mata, onde finalizou a agenda, já sabendo que estaria fora do cargo em breve.

Mesmo demitido, seguiu com a agenda oficial até que Rossieli assumisse. Na quarta-feira passada, por esemplo, cumpriu agenda em Brasília, onde se reuniu com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Manuel Fernando Palacios da Cunha e Melo, para tratar do Censo Escolar de Minas Gerais. Em seguida, participou de compromissos na sede do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), do qual é vice-presidente

De onde vieram

Alvarenga iniciou a trajetória na Secretaria de Educação como professor de Biologia e, depois, diretor escolar. Ele também ocupou o cargo de subsecretário de Articulação Educacional de novembro de 2019 a agosto de 2022, substituindo Julia Sant’Anna, que comandava a Educação desde o início do governo Zema. 

O agora ex-secretário era visto pelo governo Zema como importante para o diálogo com a rede e com a oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Escolas cívico-militares

Quando foi demitido, Alvarenga liderava a ampliação do programa cívico-militar nas escolas estaduais, alvo de críticas por parte da comunidade escolar. Em uma de suas declarações públicas, durante audiência pública na ALMG em 10 de julho, chegou a afirmar que “quem tem medo de polícia é bandido”.

A fala foi classificada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) como uma tentativa de “criminalização das vulnerabilidades” dos estudantes e aos profissionais da rede.

Após a notícia da demissão, por outro lado, superintendentes regionais de ensino se mobilizaram para articular um abaixo-assinado em apoio à permanência do então secretário no cargo.

Novo secretário

Já Rossieli Soares é formado em direito com mestrado em Gestão e Avaliação Educacional. Ele atuou como secretário de Educação nos governos estaduais de São Paulo, Amazonas e Pará, de onde pediu demissão em junho, além de ter comandado o Ministério da Educação no governo Michel Temer. Em 2022, foi candidato a deputado federal por São Paulo.

Polêmicas

Apesar da experiência, Rossieli também traz controvérsias no histórico. A gestão dele no Pará enfrentou resistência após sanção de legislação que substituiu o ensino presencial em comunidades indígenas, quilombolas e rurais por aulas remotas, transmitidas pela televisão e internet. Lideranças locais criticaram a medida, alegando que a realidade de regiões sem acesso a energia elétrica ou conectividade foi ignorada.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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