Crítica de Zema aos Brics ocorre em meio a tratativas do BDMG por empréstimo bilionário junto a banco do bloco

Partes esperam concluir, ainda neste ano, operação que pode render até R$ 1,1 bilhão para financiar linha de crédito em Minas
O governador Romeu Zema
Zema teceu crítica aos Brics nesta terça-feira (29). Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse, nesta terça-feira (29), que o bloco econômico dos Brics, liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, “não agrega nada” ao país. A declaração, feita durante entrevista concedida ao “UOL”, foi dada em meio a negociações do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), entidade financeira dos Brics, por um empréstimo que pode render US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão na cotação atual) ao banco mineiro até o fim do ano.

As negociações entre o NDB, também chamado de Banco dos Brics, e o BDMG, se iniciaram em 2022. A ideia do banco estadual é captar os recursos para aplicá-los em linhas de crédito voltadas ao financiamento de projetos considerados ambientalmente sustentáveis. Os subsídios poderão ser solicitados por prefeituras e empresas.

A declaração de Zema, por seu turno, aconteceu enquanto ele comentava o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) aos produtos brasileiros. Ao apontar “inabilidade” do governo federal ante o caso, o chefe do Executivo estadual teceu críticas à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Temos aí, hoje, o Brics querendo questionar tudo. É um grupo que também desagrada muito aos americanos. É um grupo que não agrega nada ao Brasil. Não estamos falando de países que têm a mesma cultura que a nossa. Não estamos falando de países cristãos. Não estamos falando de países democráticos. É um aglomerado de países que parece querer questionar a ordem mundial sem ter nenhuma proposta concreta”, afirmou. 

A O Fator, o BDMG informou que esta é a primeira vez que procurou o NDB para viabilizar um empréstimo.

Banco de Dilma

O NDB é presidido, desde 2023, pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O empréstimo solicitado por Minas ao banco ligado aos Brics já foi aprovado pela Assembleia Legislativa (ALMG), em etapa necessária ao prosseguimento dos trâmites. No último dia 17, o BDMG informou esperar terminar a operação ainda em 2025.

Empréstimos do tipo precisam ser autorizados por órgãos como a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A fim de acelerar as articulações, o Senado Federal, a quem cabe a tarefa de publicar resolução dando sinal verde para a assinatura do contrato entre as partes, entrou na articulação.

No meio deste mês, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para pedir o consentimento da pasta à negociação. Segundo Pacheco, a aprovação da Fazenda já foi obtida. Falta, agora, comunicação formal da Casa Civil à Casa Alta do Congresso Nacional. 

A União será a avalista do empréstimo, o que permite ao BDMG o acesso a taxas de juros menores. A participação do governo federal na chamada contragarantia também alonga o prazo de pagamento da operação.

Os Brics

O bloco econômico tem, hoje, 11 integrantes. Além do sexteto presente no nome da coalizão, fazem parte do fórum Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã.

Leia também:

CNJ cita suspeitas de ‘delitos contra a dignidade sexual’ e afasta desembargador de MG que absolveu acusado de estuprar menina de 12 anos

Urbel marca data para oficializar troca na presidência

Gilmar proíbe pagamento de ‘penduricalhos’ retroativos e alerta para sanções penais

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse