Mais caro que o tarifaço: a renúncia fiscal de Zema

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais estima uma renúncia fiscal de R$ 25,2 bilhões para o ano de 2026. A cifra é tão alarmante que supera até mesmo os impactos previstos do tarifaço aplicado por Donald Trump às exportações brasileiras: segundo estudo da Fiemg, a sobretaxa americana pode gerar um prejuízo de R$ 21,5 bilhões para o estado em um período estimado de até dez anos.

A comparação expõe uma contradição grave: o dano de uma política deliberada do governo estadual pode ser maior que o de um ataque comercial promovido por uma potência estrangeira. A renúncia fiscal de Zema não é resultado de uma guerra comercial ou de retaliação internacional — é uma decisão política interna, que compromete receitas públicas em plena crise financeira, enquanto escolas seguem sucateadas, hospitais sobrecarregados e servidores públicos acumulam perdas salariais, sem qualquer reposição inflacionária.

Desde 2021, o governo Romeu Zema ampliou os incentivos fiscais de R$ 13 bilhões para R$ 20,2 bilhões em 2024 — um aumento de 55%. O discurso liberal de eficiência, equilíbrio fiscal e meritocracia perde força diante dessa contradição: o Estado abre mão de bilhões sem contrapartidas claras, sem transparência e sem qualquer análise pública dos reais benefícios sociais e econômicos dessas desonerações.

Em um cenário global adverso, em que o protecionismo de líderes como Trump ameaça as exportações e o emprego industrial mineiro, a postura do governador Zema revela suas prioridades: em vez de mobilizar recursos para fortalecer o setor produtivo local, opta por alimentar uma agenda ideológica alinhada à extrema direita e defender Jair Bolsonaro, em detrimento dos interesses estratégicos de Minas Gerais.

A renúncia fiscal não pode continuar sendo tratada como invisível. Ela representa gasto público disfarçado de benefício setorial. E, pior: torna-se um luxo inaceitável quando o Estado insiste na narrativa da falência para justificar a entrega de estatais, a precarização dos serviços e a desvalorização do funcionalismo.

Minas não pode ser duas vezes saqueada: uma pela geopolítica de Trump e outra por decisões internas mal justificadas. Se há um tarifaço a nos preocupar, ele talvez não venha apenas de Washington, mas sim do Palácio Tiradentes.

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