Gasoduto de R$ 5 bilhões pode ligar São Paulo a Uberaba e destravar polo gás-químico e produção de biometano

Reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode definir rumos do setor
Estrutura de gasoduto da Petrobras
A previsão é a de que o gasoduto tenha cerca de 300km de extensão, a depender da rota definida. Foto: André Motta de Souza / Agência Petrobras

O tão esperado “gasoduto de Uberaba” pode finalmente sair do papel. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) analisa projeto para construir uma nova linha de transporte com capacidade para escoar até 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia até o município mineiro. O projeto, estimado em R$ 5 bilhões, integra o programa federal Gás para Empregar, do Ministério de Minas e Energia (MME), e deve ter cerca de 300 quilômetros de extensão.

O ramal poderá ter início de Icanga ou Paulínia, em São Paulo, a depender do Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano, que prevê a expansão do setor, com previsão de conclusão em dezembro. O traçado é estratégico não só para Minas Gerais, mas para a conexão entre os estados produtores e consumidores de gás natural e biometano.

O projeto atenderia à crescente demanda do Triângulo Mineiro e ainda pode viabilizar duas frentes estratégicas: o polo gás-químico de Uberaba, planejado há mais de uma década, e a cadeia de produção de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar, cujo cultivo é predominante na divisa de Minas com São Paulo e Goiás.

Rotas compartilhadas

Segundo Nota Técnica-metodológica do Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB), publicada em março pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil trabalha para integrar o biometano à malha de gás natural, o que inclui o desenvolvimento de rotas compartilhadas e clusters industriais.

Afinal, embora um seja extraído de combustíveis fósseis e o outro seja de fontes renováveis, eles podem ser transportados nos mesmos dutos e, também, utilizados juntos.

O que falta

Apesar do avanço, o projeto ainda depende de marcos regulatórios para deslanchar. Um dos entraves, segundo o ex-prefeito de Uberaba e ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto (PV), é a definição do preço do gás e da demanda firme para justificar a instalação do duto.

A oferta de gás da União, hoje sob gestão da Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal que administra os contratos de partilha de produção de petróleo e gás natural da União, também é aguardada. Ele será leiloado somente após deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), cuja reunião estava prevista para esta terça-feira (5), mas foi adiada sem nova data.

O processo será acompanhado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que conduzirá as chamadas públicas para identificar a viabilidade econômica dos novos projetos. A infraestrutura para Uberaba será uma das candidatas.

A expectativa na região é grande. “A chegada desse gasoduto consolida Uberaba como polo estratégico do Triângulo Mineiro e abre um novo ciclo de desenvolvimento para nossa cidade e toda a região. Estamos falando de energia limpa, competitividade industrial e atração de novos investimentos. Já conquistamos o maior investimento da história da nossa cidade, com a empresa H2Brasil que investirá mais de 7bi em hidrogênio e amônia verde. E agora, com gás damos mais um passo fundamental para gerar mais empregos e oportunidades para a nossa população, afirma a prefeita de Uberaba, Elisa Araújo (PSD).”

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