O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu o nome do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD) para ocupar uma vaga na Corte – seja agora, com uma possível saída de Luís Roberto Barroso, ou futuramente.
Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o decano indicou que a preferência por Pacheco não é apenas dele, mas também de outros ministros do Supremo. “A Corte precisa de pessoas corajosas e preparadas juridicamente”, afirmou. “E o senador Pacheco é o nosso candidato. O STF é jogo para adultos”, completou.
De acordo com a coluna, a conversa sobre mudanças no tribunal ocorreu durante um encontro social, na presença de Pacheco, que ouviu tudo em silêncio. Questionado sobre o diálogo, o ex-presidente do Senado respondeu: “Sou tímido”.
O plenário do Supremo confirmou, na quarta-feira (13), a escolha do ministro Edson Fachin como presidente do tribunal pelos próximos dois anos. E com essa transição, as atenções se voltam agora para Barroso e o seu futuro.
Nos últimos meses, aumentaram os rumores de que após entregar a chefia do tribunal a Fachin, em setembro, Barroso poderia antecipar sua aposentadoria. Ele teria manifestado interesse em assumir o comando de uma embaixada na Europa.
Segundo a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN), ministros do STF são obrigatoriamente aposentados aos 75 anos. Para o atual presidente da Corte, esse limite será atingido apenas em março de 2033.
Impacto para Minas
Como O Fator mostrou, políticos mineiros acompanham de perto (e ansiosos) essas movimentações. A decisão que Barroso tomar pode impactar diretamente o quadro para a disputa ao governo de Minas Gerais nas eleições do próximo ano.
Apesar da pressão de aliados para que dispute o governo do estado em 2026, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não é segredo nos bastidores que Pacheco sempre desejou uma cadeira no Supremo.
Nesse cenário, uma possível aposentadoria antecipada de Barroso poderia abrir caminho para que o senador fosse cotado para assumir a vaga, beneficiado pela boa relação que mantém com Lula.
Mas, além de Pacheco, outros também acompanham de perto as articulações no STF. Entre eles está o advogado-geral da União, Jorge Messias, que, em 2023, aguardava ser indicado para a vaga atualmente ocupada por Flávio Dino.
Há também a crescente pressão sobre Lula indicar mulheres aos tribunais. Hoje, apenas Cármen Lúcia integra o STF. Com isso, é lembrado o nome da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.
Sem uma saída antecipada de algum ministro, a próxima vaga no Supremo só será aberta em 2028, quando Luiz Fux completará 75 anos. A nomeação dependerá da decisão do presidente da República que estiver no cargo naquele momento.
Grupo de Pacheco espera ansioso por definição de Barroso
Aliados de Pacheco contaram a O Fator que a transição no Supremo é considerada decisiva e essencial para que o ex-presidente do Senado defina, de uma vez por todas, qual será o seu futuro político em 2026.
Nesse cenário, Pacheco assumiu o compromisso com seu grupo no PSD de decidir, até outubro, se disputará o governo de Minas, buscará a reeleição ao Senado ou retomará as atividades no escritório de advocacia.
Essa quarta possibilidade, de ocupar uma vaga no Supremo, ainda “assombra” o grupo político, já que, sem uma negativa de Barroso, a hipótese continua presente nos bastidores e impede que a decisão do senador seja mais célere.