Em nota, Fiemg pede fim da generalização da mineração após operação da PF contra fraudes

Entidade apoiou investigações, mas defendeu que setor não seja julgado por erros de ‘criminosos travestidos de mineradoras’
Fiemg ressaltou a relevância do trabalho investigativo conduzido pelos órgãos competentes, reconhecendo seu papel na defesa da legalidade, transparência das atividades econômicas e proteção da sociedade. Foto: Divulgação

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defendeu que o setor mineral não pode ser generalizado ou demonizado em função de casos pontuais que descumprem a legislação. A entidade se manifestou em nota publicada nesta quinta-feira (18), fazendo referência à Operação Rejeito, deflagrada nesta quarta-feira (17) pela Polícia Federal. A operação resultou na prisão de dezenas de pessoas e mirou um esquema de fraudes em licenciamentos ambientais que movimentou bilhões de reais.

A ação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União cumpriu 22 ordens de prisão e 79 mandados de busca e apreensão em diversas cidades mineiras. O alvo principal foi um conglomerado de mais de 40 empresas suspeitas de fraudar processos de licenciamento para extrair minério de ferro em áreas protegidas e tombadas.

A Fiemg ressaltou a relevância do trabalho investigativo conduzido pelos órgãos competentes, reconhecendo seu papel na defesa da legalidade, transparência das atividades econômicas e proteção da sociedade. A entidade citou declaração do superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, que classificou a operação como “preventiva contra grupos criminosos travestidos de mineradoras”.

A federação reforçou o papel estruturante da mineração para Minas e o Brasil, destacando “sua responsabilidade na geração de milhares de empregos diretos e indiretos, arrecadação de tributos para políticas públicas e movimentação de cadeias produtivas fundamentais ao desenvolvimento econômico”.

As investigações apontam que a organização criminosa obteve lucro de R$ 1,5 bilhão com as atividades ilegais e mantinha projetos em andamento com potencial econômico superior a R$ 18 bilhões. Entre os principais investigados estão os empresários Alan Cavalcante do Nascimento, identificado como líder do grupo, o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages e Helder Adriano de Freitas, sócio na empresa Gute Sicht e responsável por articular os processos fraudulentos junto a servidores públicos.

O inquérito policial, iniciado em 2020, revelou que o esquema criminoso corrompeu servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM). Os métodos utilizados incluíram corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, fraude documental e lavagem de dinheiro para viabilizar extrações irregulares em larga escala.

Veja na íntegra a nota da Fiemg:

“A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) acompanha com atenção os desdobramentos da Operação Rejeito, conduzida pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e demais órgãos competentes. A entidade ressalta a relevância do trabalho de investigação, que cumpre papel essencial na defesa da legalidade, na transparência das atividades econômicas e na proteção da sociedade.

A FIEMG reforça que não podemos permitir a generalização ou a demonização de todo o setor mineral, devidamente regulado, cumpridor de todas as obrigações legais, em função de casos pontuais, descumpridores do regramento legal. A mineração tem papel estruturante para Minas Gerais e para o Brasil, sendo responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos, pela arrecadação de tributos que sustentam políticas públicas e pela movimentação de cadeias produtivas fundamentais ao desenvolvimento. Como bem disse Richard Murad Macedo, superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, a Operação Rejeito atua de forma preventiva, atacando grupos criminosos travestidos de mineradoras, que promoviam extrações ilegais e geravam destruição em nosso estado.

É nesse sentido que a entidade reafirma a importância da Lei do Licenciamento Ambiental, pois trata-se de um marco regulatório essencial para garantir maior previsibilidade, segurança jurídica e transparência às atividades econômicas. Para que isso seja efetivamente alcançado, é fundamental a derrubada dos vetos presidenciais, assegurando que a lei seja implementada em sua integralidade. Com regras claras e modernas, será possível assegurar que projetos minerários e industriais se desenvolvam de forma responsável, com rígido controle ambiental e social, ao mesmo tempo em que contribuem para o crescimento econômico sustentável.

É fundamental que seja assegurada a ampla defesa a todos os citados na investigação. Qualquer responsabilização deve ser feita com base em provas consistentes, respeitando o devido processo legal.

A FIEMG acredita que um setor mineral forte, regulado e transparente é parte da solução para os desafios de Minas Gerais e do Brasil. A indústria mineira está comprometida com práticas sustentáveis, inovação tecnológica e a construção de um futuro em que desenvolvimento e responsabilidade caminham juntos.”

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