Falta de indicativo da equipe de Haddad adia definição sobre novo decreto do Propag

Incerteza na equipe do Ministério da Fazenda amplia dúvidas sobre prorrogação de prazo para avaliação de estatais
Ministério da Fazenda
Análise para edição de um novo decreto sobre o Propag está sob responsabilidade do Ministério da Fazenda. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Permanece em banho-maria a possibilidade de o governo federal editar um novo decreto para estender, até meados de 2026, o prazo de avaliação das estatais no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A data-limite para a adesão dos estados ao plano de refinanciamento do governo federal é 31 de dezembro deste ano, enquanto as ofertas de federalização de empresas precisam ser encaminhadas até o fim do mês que vem.

Interlocutores envolvidos nas tratativas afirmam que já existe viabilidade política para a medida, mas o nó da negociação permanece no Ministério da Fazenda, responsável pela análise jurídica e econômica de uma nova regra.

Apesar de o prazo para apresentar ofertas terminar em outubro, o decreto atual tem uma brecha que permite que as federalizações sejam concluídas até o meio de 2026. Uma eventual atualização no texto, porém, é vista como uma vantagem adicional para Minas Gerais na renegociação.

Segundo fontes ouvidas por O Fator, apenas após a apresentação do parecer de viabilidade pelo Ministério da Fazenda, conduzido pelo secretário-executivo Dario Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai deliberar sobre o tema.

Contudo, o entendimento é de que não há resistência política. Um dos pontos seria o apoio da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e uma questão ideológica, já que o governo federal também se posiciona contra as privatizações.

Essa, no entanto, é a saída defendida pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que pretende usar os recursos obtidos com a venda de estatais para o abatimento da dívida do estado com a União. O valor hoje chega a R$ 170 bilhões.

A expectativa dos envolvidos no processo é que, na próxima semana, o Ministério da Fazenda apresente um indicativo sobre a possibilidade de um novo decreto. Esse prazo, no entanto, já foi estendido por algumas vezes.

Confiança reduz na Assembleia

A indefinição e a falta de sinalização da pasta comandada por Fernando Haddad impactou diretamente as últimas movimentações da Assembleia Legislativa (ALMG). A confiança em uma extensão do decreto, que já foi latente na Casa e chegou a adiar a análise de projetos ligados ao Propag, diminuiu.

Segundo soube a reportagem, o Legislativo mineiro não recebeu novos indicativos do governo federal sobre o pedido de extensão feito pelo presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins (MDB).

O indício mais evidente dessa falta de retorno foi a decisão dele de avançar com a tramitação do projeto que extingue a exigência de referendo popular para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Além da PEC que trata da Copasa, os deputados começaram recentemente a analisar a proposta de federalização da Minas Gerais Participações (MGI S/A), responsável pela gestão de ativos do governo estadual. O repasse da estatal à União já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Entenda sobre o novo decreto

A ideia defendida pela bancada do PT e pelo presidente da Assembleia é que o governo federal flexibilize as regras do Propag para permitir que Minas envie ofertas de federalização de estatais sem laudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A sugestão é que os estados produzam seus próprios laudos, e o BNDES apenas aconselhe a União na decisão. A mudança daria efeito imediato ao Propag e atenderia ao pedido mineiro de mais prazo para negociar a dívida.

Embora as propostas devam ser protocoladas até o fim de outubro, o BNDES estima que avaliações de estatais podem levar até um ano, o que empurraria os laudos para 2026. Por isso, o vice-governador Mateus Simões (Novo) defende o uso de valores de referência, tomados a partir dos exames encomendados pelas próprias estatais.

No final de agosto, o banco encerrou consulta pública para selecionar empresas interessadas em avaliar a Copasa, a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig), a Companhia Energética (Cemig) e a MGI.

A consulta ao mercado sobre o interesse de produzir os laudos de avaliação tem caráter não vinculante. O objetivo do BNDES é assinar os contratos apenas após o governo federal indicar os ativos que têm interesse em receber a reboque da renegociação da dívida.

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