O Ministério da Defesa informou à Câmara dos Deputados que a operação que garantiu asilo político à ex-primeira-dama peruana Nadine Heredia, em abril deste ano, custou R$ 345 mil aos cofres públicos brasileiros.
A resposta foi encaminhada para atender a seis requerimentos de informação apresentados entre maio e julho por deputados da oposição, que solicitaram esclarecimentos ao ministro José Múcio a respeito das despesas da missão.
De acordo com ofício enviado neste mês e assinado pelo Departamento de Assessoria Parlamentar e de Relações Institucionais do Comando da Aeronáutica, a Força Aérea Brasileira (FAB) detalhou que o valor foi dividido em três categorias:
- R$ 318.009,20 em custos logísticos
- R$ 19.456,74 em taxas aeroportuárias
- R$ 7.547,62 referentes a diárias da tripulação
A operação
Em abril, Nadine Heredia e o marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foram condenados pela Suprema Corte do Peru a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro no caso envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, atual Novonor.
A sentença apontou que as campanhas eleitorais de Humala em 2006 e 2011 receberam US$ 3 milhões de repasses ilícitos da Odebrecht. A descoberta veio como um desdobramento da operação Lava Jato no Brasil sobre desvio de recursos públicos.
Na data da leitura da condenação, Nadine alegou problemas de saúde e não compareceu ao tribunal. Humala foi preso imediatamente, enquanto ela buscou refúgio na Embaixada do Brasil em Lima, capital do país.
A ex-primeira-dama solicitou asilo diplomático com base na Convenção de Caracas de 1954, ratificada tanto pelo Peru quanto pelo Brasil. O governo peruano concedeu salvo-conduto, permitindo que ela deixasse o país ao lado do filho sem risco de prisão.
Em 16 de abril de 2025, ela chegou a Brasília em voo da FAB. O Ministério das Relações Exteriores justificou o asilo por razões humanitárias, citando a cirurgia na coluna da ex-primeira-dama e a presença do filho menor de idade.
Nadine Heredia Alarcón exerceu papel relevante na política peruana ao lado de Humala entre 2011 e 2016. Além da posição de primeira-dama, assumiu interinamente a presidência do Partido Nacionalista Peruano em 2013.
Sigilo de cinco anos
A FAB chegou a impor, em junho, sigilo de cinco anos sobre os gastos da operação que trouxe Nadine Heredia ao Brasil, após questionamentos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI). O caso acabou sendo levado ao Tribunal de Contas da União (TCU).