Na esteira das discussões sobre a jornada 6×1, o Sistema Fecomércio MG defende alterações na legislação trabalhista com o objetivo de ampliar a flexibilidade nas contratações. A entidade propõe que o modelo permita pagamentos por hora, sem limite máximo ou mínimo de jornada, além de regras diferenciadas para quem optar por trabalhar aos fins de semana.
Segundo o presidente da Fercomércio MG, Nadim Donato, o avanço das transformações sociais e do comportamento do trabalhador, cada dia mais focado em empreender, exige novas formas de vínculo.
Ele destaca que, assim como categorias que adotaram o regime de 12 horas seguidas com 36 de descanso, o mercado pede opções que deem liberdade de escolha. “A pessoa pode trabalhar 12 horas, descansar 12, e trabalhar mais 12 em outro lugar. Ou não. É uma escolha dela”, afirma.
A proposta tem como base a percepção de que o mercado de trabalho passa por um processo de “uberização”, no qual os profissionais buscam autonomia para definir horários, intensidade e carga de trabalho.
Para Donato, essa liberdade beneficia diferentes perfis: jovens que desejam acelerar a carreira podem optar por longas jornadas, enquanto quem busca qualidade de vida pode trabalhar menos horas, em ritmo reduzido.
Outro ponto defendido pela Fecomércio é a remuneração diferenciada para quem aceitar atuar nos fins de semana. “E se a pessoa quiser trabalhar muitas horas sexta, sábado e domingo? Ela poderá”, explica o dirigente.
Modelo trabalhista
Além da jornada, a entidade discute uma revisão da forma de registro do trabalhador. A proposta é manter direitos como aposentadoria e recolhimento de impostos, mas em um modelo mais flexível, que, segundo Donato, resguardaria tanto empregados quanto empregadores.
“O trabalhador ganha, porque tem os direitos dele, o governo recebe impostos e o contratante se resguarda. Todos saem ganhando”, comenta.
As ideias ainda estão em fase de debates internos com outras federações e representantes do comércio e da indústria, mas Donato garante que elas vêm ganhando força. A expectativa é que, após amadurecimento, sejam apresentadas a parlamentares para discussão no Congresso.