Alcolumbre vira principal obstáculo de Lula na escolha do sucessor de Barroso no STF

Aliado de Pacheco, amapaense aproveita o mal-estar entre Congresso e Planalto para ampliar influência na definição do sucessor
Lula e Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil - AP). Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Nos bastidores do Senado Federal, a avaliação é de que o principal obstáculo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para indicar o sucessor de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) será o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que tem entre seus trunfos o recente mal-estar entre o governo e o Congresso Nacional.

O senador amapaense tem atuado intensamente em favor do nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Os dois são amigos de longa data. Segundo relataram interlocutores a O Fator, Alcolumbre teria se incomodado com o fato de o presidente ter evitado uma conversa telefônica com ele na última semana, logo após o anúncio da saída de Barroso do tribunal.

E uma das “armas” que estaria nas mãos de Alcolumbre para pressionar Lula seria justamente esse desgaste entre os Poderes. O governo federal decidiu demitir afilhados de deputados do Centrão que ajudaram a derrubar a Medida Provisória (MP) 1.303, que garantiria ao Tesouro Nacional cerca de R$ 30 bilhões.

A insatisfação de parlamentares com essa retaliação tem repercutido entre partidos com influência no Senado – como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos -, justamente por onde passará o indicado de Lula ao STF. Ciente disso, o presidente da Casa tem se movimentado para tirar proveito do cenário.

Além disso, Alcolumbre tem sob seu controle a pauta de vetos estratégicos do governo federal, como o do licenciamento ambiental, cuja manutenção é uma das prioridades do Planalto antes da COP-30, em Belém, no Pará, para evitar uma imagem negativa perante a comunidade internacional.

Como mostrou O Fator, a movimentação do amapaense pode avançar caso Lula opte por outro nome. Entre parlamentares, a avaliação é de que uma eventual resposta ocorreria por meio da demora em pautar a sabatina e a votação do indicado, que são etapas indispensáveis para que o escolhido pelo presidente assuma o cargo no Supremo.

Corrida ao STF

Hoje, o nome visto como natural para ocupar o cargo é o do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. Ele é lembrado como alguém que esteve ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment, atuou também durante a época em que Lula esteve preso e é um nome de confiança no PT.

Além disso, há quem entenda que o presidente tenha uma “dívida” com Messias, uma vez que ele colocou o AGU no final da fila em outras vagas que foram abertas no Supremo, optando por Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mas, politicamente e no meio jurídico, Pacheco tem sido cotado como o preferido.

Além de Alcolumbre, ele conta com o apoio de dois nomes de peso do STF: o decano Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Um dos entraves em relação ao nome do senador seria o desejo de Lula de ter Pacheco como seu palanque na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026.

No momento, o PT não dispõe de uma alternativa viável, mas o estado é visto como chave em um processo eleitoral. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram em Minas também conquistaram a Presidência da República. Atento a esse histórico, Lula intensificou sua presença em território mineiro.

Nomes na disputa

Além de Messias e Pacheco, aparece no páreo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, também é lembrada diante da pressão por mais mulheres na Corte, atualmente representada apenas por Cármen Lúcia entre os 11 ministros.

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