O anúncio da filiação ao PSD do vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Mateus Simões, feito durante o fim de semana, causou surpresa em parte do grupo político ligado ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O ato que vai oficializar a saída de Simões do Novo e a consequente entrada no partido nacionalmente presidido por Gilberto Kassab está marcado para a próxima segunda-feira (27).
Entre aliados do ex-presidente do Senado, a avaliação é de que, embora a mudança partidária fosse esperada, o anúncio seria adiado por uma questão de deferência a Pacheco, que ainda não sinalizou publicamente seu caminho político para 2026. As fontes lembram que o parlamentar é o quadro mais importante da sigla no estado.
Nos bastidores, a expectativa era de que Kassab e Simões aguardassem a decisão do senador. Pacheco tem mantido cautela enquanto espera uma sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a escolha do substituto do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar da expectativa do grupo de Pacheco sobre uma espera de Kassab, interlocutores do presidente nacional pessedista afirmam que toda a condução do processo de filiação de Simões coube ao PSD mineiro.
As possibilidades à mesa de Pacheco
No STF, Pacheco disputa a preferência de Lula com o advogado-geral da União, Jorge Messias, apontado como favorito. Mas o presidente não esconde preferir que Pacheco permaneça na política e dispute o governo de Minas, servindo como palanque dele no estado em 2026.
Mas antes mesmo da aposentadoria antecipada de Barroso, a dúvida já pairava sobre o grupo do senador na sigla. Os aliados esperavam até outubro que Pacheco definisse não somente se iria concorrer ao Palácio Tiradentes, como também se permaneceria no PSD. Ele conta com convites de MDB, PSB e União Brasil.
Pacheco conta, ainda, com a possibilidade de tentar a reeleição ao Senado. Há, por fim, a hipótese de retornar integralmente ao exercício da advocacia.
Data já estava definida, dizem aliados de Simões
Aliados de Mateus Simões ouvidos por O Fator corroboram a tese do grupo de Kassab sobre ausência de influência da situação de Pacheco no anúncio da filiação do vice-governador. A data do evento que oficializará o embarque de Simões no PSD, a propósito, já estava definida há algumas semanas.
A estratégia de divulgar antecipadamente o acordo, avaliam, serve para encerrar especulações quanto ao futuro político do aliado de Romeu Zema (Novo).
Simões, inclusive, já gravou a primeira propaganda partidária que protagonizará na condição de integrante dos quadros do PSD. A peça servirá para ressaltar o alinhamento da legenda à gestão Zema e terá tom de apresentação, ao público, do vice-governador.