MPF em MG arquiva investigação contra Monark por suposto discurso racista

Colegiado concluiu que declarações ocorreram em debate político e econômico, sem direcionamento a grupos protegidos
O youtuber e influenciador Bruno Aiub, conhecido como Monark. Foto: Reprodução / YouTube

O Ministério Público Federal (MPF) arquivou uma notícia de fato que pedia a investigação do influenciador digital Bruno Aiub, o Monark, por suposta prática de discurso racista em um vídeo publicado no YouTube.

A representação tinha como base o trecho de um vídeo em que Monark disse não desejar o fim das chamadas “hierarquias naturais”, defendendo que elas seriam necessárias para o desenvolvimento da sociedade.

O arquivamento foi publicado na edição desta terça-feira (26) do Diário Oficial do MPF.

A representação teve origem na Procuradoria da República em Minas Gerais, que arquivou o procedimento por entender que o conteúdo não configurava violação à Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância.

O caso foi submetido à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF por força do reexame obrigatório dos arquivamentos.

Ao analisar o arquivamento, o relator do caso, o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, concluiu que o vídeo consistia em um debate de natureza político-econômica sobre capitalismo, comunismo e temas correlatos.

Ainda segundo o relator, as declarações questionadas foram dadas no contexto de uma discussão ideológica sobre desigualdades sociais, propriedade privada e concentração de poder econômico, sem direcionamento a grupos protegidos pela legislação antirracista.

Para o MPF, embora as opiniões manifestadas possam ser consideradas controversas ou simplificadoras, não houve referência específica a raça, cor, etnia, religião, procedência nacional ou outros grupos protegidos pela legislação penal.

A análise destaca que o influenciador utilizou exemplos relacionados a diferenças físicas e intelectuais entre indivíduos para sustentar sua tese sobre a existência de desigualdades naturais, mas sem associar essas características a grupos racialmente identificáveis.

Com base nesse entendimento, acompanhado pelos demais integrantes do colegiado, a 2ª Câmara concluiu que não estavam presentes os elementos necessários para caracterizar o crime de prática, induzimento ou incitação à discriminação ou preconceito.

Em 2022, Monark defendeu abertamente o direito de nazistas terem um partido político no Brasil. Ele foi demitido do Flow, podcast do qual era host, e alegou estar bêbado ao dar a declaração.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Leia também:

MPF em MG arquiva investigação contra Monark por suposto discurso racista

A data da reunião de PSDB e Cidadania para definir se Aécio será pré-candidato ao Planalto

Após ofertas, TCE recebe novo pedido pela suspensão da privatização da Copasa

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse