PEC que elimina referendo para privatização da Copasa entra na pauta do plenário da ALMG

Projeto, defendido pelo governador Romeu Zema, está na lista de itens de três reuniões marcadas para esta terça-feira (21)
Governo quer privatizar Copasa e utilizar verba na amortização da dívida pública. Foto: Alexandre Netto/ALMG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) marcou três reuniões plenárias para esta terça-feira (21). Em todas elas, consta na pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a obrigatoriedade de referendo popular para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Apesar da chegada da PEC ao plenário, O Fator apurou que o texto, muito provavelmente, não será votado nesta terça. A ideia é que as três reuniões sirvam para iniciar o tempo destinado à discussão da matéria. A primeira sessão está prevista para começar às 10h; a segunda, às 14h; a terceira, às 18h.

A oposição ao governador Romeu Zema (Novo) pretende fazer obstrução, o que deve adiar, em algumas sessões, a análise da PEC em 1° turno. Se seis reuniões ocorrerem com obstrução, porém, é possível apreciar o projeto no sétimo encontro, independentemente do uso de mecanismos regimentais para atrasar a votação.

Para uma reunião plenária ser aberta na Assembleia, é preciso que 26 parlamentares marquem presença. Deputados estaduais já foram comunicados pela Mesa Diretora da Casa sobre as sessões.

A aprovação da PEC, por seu turno, é condicionada ao aval de ao menos 48 deputados.

O que diz a PEC?

A PEC da Copasa dispensa a necessidade de consulta à população nas urnas caso o dinheiro arrecadado com a venda da estatal seja utilizado para o pagamento de parte da dívida de Minas Gerais com a União. O texto em análise, um substitutivo, também permite a aplicação dos recursos no cumprimento de obrigações atinentes ao refinanciamento da dívida.

O trecho, na prática, permite o aporte das receitas oriundas da privatização no pagamento de contrapartidas previstas no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo os termos do Propag, um percentual entre 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar políticas públicas em áreas como segurança pública, infraestrutura e ensino profissionalizante.

Como a tramitação ainda está no 1° turno, o texto, depois do aval inicial em plenário, será analisado por uma Comissão Especial para, posteriormente, estar apto à votação definitiva.

O sinal verde à privatização, contudo, só será dado após a Assembleia analisar o projeto que trata especificamente da autorização pedida pelo governador Romeu Zema (Novo) para negociar as ações da empresa. O modelo a ser usado em uma eventual transação ainda não está definido. Uma das hipóteses cogitadas é o follow on, caminho seguido pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2023, com a oferta de novos títulos na Bolsa de Valores.

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