A mudança sugerida pelo relator da PEC que abre caminho para a privatização da Copasa

Gustavo Valadares apresentou parecer nesta segunda-feira (7), ampliando o leque de possibilidades de uso dos recursos
Estação de tratamento da Copasa
Privatização da companhia é objetivo do governo Zema. Foto: Copasa/Divulgação

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a necessidade de referendo popular para a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Gustavo Valadares (PSD), apresentou aos colegas, nesta segunda-feira (6), um texto substitutivo. 

Na versão defendida por Valadares, os recursos arrecadados com a privatização da companhia, embora ainda estejam vinculados ao pagamento da dívida com a União, poderão ser utilizados para cobrir contrapartidas exigidas pelo Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Na prática, a verba oriunda da negociação de ações da estatal poderá ser aportada nas políticas públicas de infraestrutura previstas nos termos do Propag. 

Segundo o programa de refinanciamento dos débitos estaduais, um percentual 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar ações em áreas como segurança pública, infraestrutura e ensino profissionalizante.

“Apresentamos, todavia, o Substitutivo nº 2, redigido ao fim deste parecer, para, partindo da premissa do texto do substitutivo apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça, acrescentar a possibilidade de os recursos obtidos com a desestatização de empresa prestadora de serviço de saneamento básico serem canalizados tanto para pagar o saldo da dívida do Estado quanto para cumprir outras obrigações assumidas em decorrência de seu financiamento”, lê-se em trecho do relatório de Valadares, obtido por O Fator.

O deputado do PSD é o relator do projeto da Copasa em uma Comissão Especial formada pela Assembleia Legislativa (ALMG) para analisar a proposta. A tendência é que os integrantes do comitê se reúnam nesta terça-feira (7) para analisar o parecer.

Fim de ‘divergência’

Se o texto for aprovado na forma do substitutivo defendido por Valadares, os parlamentares encerrarão uma divergência que já havia sido mostrada por O Fator. Setores da Assembleia entendiam que o texto da PEC, da forma como foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da ALMG, permitia apenas a amortização direta da dívida, sem a possibilidade de uso do dinheiro nas contrapartidas do Propag. 

A mudança proposta pelo deputado do PSD vai ao encontro do que pleiteia o vice-governador Mateus Simões (Novo). Na visão de Simões, será possível arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com a desestatização da Copasa. Ele já externou o desejo de aplicar os recursos nas políticas de infraestrutura abrangidas pelo Propag.

“A gente tem que fazer investimentos extraordinários do Propag ao valor de R$ 1,2 bilhão por ano a partir do ano que vem. Teríamos, garantidos, o valor dos investimentos para quase quatro anos, pelo menos, com a venda da companhia”, projetou Simões, ao considerar o uso do dinheiro da negociação envolvendo a Copasa no custeio da contrapartida”, projetou, no mês passado.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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