A estratégia da oposição a Zema na caça a votos contrários à PEC da Copasa

Sessão de votação em 1° turno do texto está prevista para começar no fim da tarde desta quinta-feira (23)
A oposição a Zema no plenário da Assembleia
Oposição a Zema busca votos contra PEC da Copasa. Foto: Willian Dias/ALMG

A oposição ao governo de Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) acredita na possibilidade de conseguir, na base aliada ao Executivo, votos contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a obrigatoriedade de referendo popular para a privatização da Companhia de Saneamento (Copasa). A ideia é convencer parlamentares que, embora sejam favoráveis à venda da estatal, demonstram resistência à possibilidade de extinção da consulta pública.

A análise em 1° turno da PEC está prevista para esta quinta-feira (23). Para que o texto seja aprovado, os governistas precisam angariar 48 votos. O Fator apurou que, nas contas de aliados de Zema, há 54 deputados dispostos a opinar pelo “sim”.

A sessão está prevista para começar às 18h. Paralelamente à busca por votos “não” de última hora, a oposição, liderada pelo PT, se prepara para lançar mão de mecanismos de obstrução e, assim, postergar a sessão para a madrugada de sexta-feira (24). 

Deputados contrários à PEC devem se revezar nas tribunas do plenário a fim de gastar tempo.

“(A oposição) tem total disposição de passar a madrugada e a manhã (de sexta-feira) fazendo a discussão, dentro do nosso tempo regimental, para discutir dentro do limite. Isso nos dá condições para muitas horas de obstrução. Se o governo quiser continuar, amanhã, no final da manhã, podemos chegar à votação, o que não depende de nós”, garantiu o líder oposicionista Ulysses Gomes, do PT.

A obrigatoriedade de referendo para a venda de estatais consta na Constituição Mineira desde 2001, após uma PEC de autoria do então governador Itamar Franco, à época no MDB, ser aprovada pelo Legislativo. A retirada da trava para o caso de desestatização da Copasa tem uma condicionante: os recursos precisam, obrigatoriamente, ser aportados no pagamento da dívida mineira junto à União ou no cumprimento de obrigações financeiras referentes ao refinanciamento do passivo.

Na prática, se houver aval em dois turnos à atual redação do texto da PEC, o Palácio Tiradentes poderá utilizar o dinheiro no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).  

Segundo o programa de refinanciamento dos débitos estaduais, um percentual 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar ações em áreas como segurança pública, infraestrutura e ensino profissionalizante.

A privatização da Copasa, contudo, não carece apenas do sinal verde à PEC. A base governista também terá de conseguir a aprovação, em dois turnos no plenário, o projeto de lei que trata especificamente da autorização para a alienação de ações da companhia. A proposição também vincula o dinheiro arrecadado ao pagamento de parte da dívida pública.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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