Codemig e CBMM renovam acordo para exploração do nióbio de Araxá

Contrato, que vence em 2032, ganhou extensão de 30 anos, com clausula que permite nova prorrogação
As instalações da Codemig em Araxá
Codemig explora nióbio de Araxá em parceria com a privada CBMM. Foto: CBMM

O governo de Minas e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) renovaram nesta quinta-feira (30), por mais 30 anos, o contrato com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) para exploração de nióbio em Araxá, no Alto Paranaíba. O acordo garante à estatal 25% do lucro líquido e pode ser prorrogado por mais 15 anos, até 2070.

O contrato substitui o anterior, que venceria em 2032. A oficialização ocorre em momento decisivo para as negociações do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) e para a possível federalização da Codemig.

O novo instrumento amplia a participação da subsidiária da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) nos lucros da comercialização de outros materiais pela CBMM, incluindo terras raras, sem exigir investimentos adicionais. O texto reforça as regras de fiscalização e dá previsibilidade ao caixa público para o planejamento de políticas estaduais.

A assinatura aconteceu na sede da Codemge, em Belo Horizonte.

A parceria entre as duas empresas existe desde 1972. Por meio de uma Sociedade Comum em Participação (SCP), a CBMM fica com 75% dos lucros líquidos e a Codemig, com 25%. A exploração é feita pela Comipa, empresa em que Codemig e CBMM detêm 51% e 49% das ações ordinárias, respectivamente.

Valor de mercado

Sem a renovação, o valor de mercado da Codemig poderia cair para até um quinto do atual, segundo estimativas feitas durante as negociações. A eventual queda prejudicaria as projeções do Executivo estadual quanto aos valores que poderiam ser abatidos na dívida pública em caso de repasse da empresa à União.

O principal ativo da estatal é a parceria com a CBMM, que detém expertise industrial e acesso à cadeia global de comercialização do nióbio.

As tratativas oficiais com a Codemig começaram após o vice-governador Mateus Simões (PSD), enviar ofício ao presidente do conselho administrativo da empresa, Bruno Falci, pedindo prioridade aos trâmites para a renovação do acordo.

Segundo os atuais termos do Propag, a federalização de estatais pode acontecer até 2026. O valor a ser descontado da dívida em caso de transferência do controle da Codemig será definido em negociação formal com a União, mas Minas Gerais contratou a consultoria norte-americana Goldman Sachs a fim de obter um laudo de avaliação próprio e chegar, à mesa de tratativas com Brasília (DF), com um valor de referência.

Um parecer jurídico contratado pela Codemig apontou que a renovação do acordo atual representava a opção de menor risco jurídico e maior previsibilidade. O documento indicou que buscar outro parceiro ou assumir sozinha a exploração traria barreiras contratuais, regulatórias e operacionais.

Sigilo

Em junho, a Codemig impôs sigilo de 15 anos sobre documentos da parceria com a CBMM. A empresa classificou como secreto um “instrumento de formalização da demanda de oportunidade de negócio vinculada a transação com parte relacionada da nova Escritura Pública de Formalização de Parceria entre a Codemig e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração – CBMM”.

A Codemge informou que a medida se justificava pela “natureza estratégica do tema” e pela “estratégia empresarial” da subsidiária.

Também foi posto sob sigilo um documento que continha “projeções financeiras” da companhia feitas pela Goldman Sachs.

Oferta recusada

Em julho, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) recusou a primeira proposta do governo mineiro de transferir ações da Codemig. A oferta previa o repasse de uma fatia minoritária da estatal.

A STN respondeu que o decreto do Propag só permite a incorporação de parcelas minoritárias de sociedades anônimas listadas na Bolsa de Valores, o que não é o caso da Codemig.

Procurada por O Fator, a CBMM confirmou o acordo e disse que a prorrogação reforça a “estratégia de longo prazo” da companhia em prol de “atender às necessidades de seus clientes ao redor do mundo”.

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