PT e PSOL atuaram para derrubar voto distrital

Hugo Motta ressuscitou proposta na sexta passada (31)
Talíria Petrone na CCJ em 2019
Talíria Petrone na CCJ em 2019: pedido para retirar de pauta o voto distrital. Foto:Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Parlamentares do PT e do PSOL tentaram diversas vezes derrubar a proposta de voto distrital, que Hugo Motta ressuscitou neste Dia das Bruxas.

No voto distrital, cada partido indica um único candidato a deputado por região. Nos Estados Unidos, adota-se o voto distrital puro.

O sistema garante que o eleitor de um candidato perdedor ainda saberá quem é seu deputado: aquele da região onde mora.

A proposta salomônica em tramitação na Câmara divide as vagas em duas: metade preenchida pelo voto distrital e metade pelo sistema proporcional, já em vigor.

Na noite de sexta passada (31), o relator da proposta na Câmara, Domingos Neto (PSD-CE), deu entrevista à GloboNews dizendo que pretende modificar o texto para prever um voto único, em vez de dois votos (um no sistema distrital e outro no proporcional).

Domingos Neto assumiu a relatoria em abril deste ano e desde então não fez absolutamente nada a respeito, nem sequer pedir uma audiência pública.

O voto distrital misto foi aprovado no Senado no fim de 2017, durante o governo Temer, por 40 votos a 13. Os senadores do PT votaram contra, entre eles o hoje deputado federal Lindbergh Farias, líder da federação PT-PCdoB-PV na Câmara. O parecer juntou propostas de José Serra e do então presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Desde então tramitou lentamente na CCJ da Câmara, sem nenhuma votação.

Dois ex-deputados do PSDB, Betinho Gomes e Samuel Moreira, apresentaram pareceres em 2018, 2019 e o mais recente em 2021, sem uma decisão final da comissão.

O ex-deputado Subtenente Gonzaga (PSD-MG) pediu retirada de pauta ainda em 2018, sem sucesso.

Também pediram a retirada, ao longo dos últimos anos: Luiz Couto (PT-PB) e Talíria Petrone (PSOL-RJ).

Lá em 2017, o então senador Lindbergh declarou: “Esse tema tem que ser discutido numa PEC. É uma forçação de barra gigantesca votar isso como projeto de lei”.

O voto distrital favorece o candidato que consegue votos na própria região, e prejudica os candidatos identitários (sindicalista, professor, policial, militar, pastor, etc.).

Leia mais:

Os políticos fazem as regras eleitorais, e as regras eleitorais fazem os políticos

Deputada bolsonarista relata projeto para facilitar troca de vice

CCJ do Senado aprova voto impresso

Frederico "Cedê" Silva é repórter em Brasília. Tem passagens por O Antagonista, VEJA BH, Estadão e Estado de Minas. Foi produtor do 'CQC' na Band e do programa 'Manhattan Connection' no MyNews.

Leia também:

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Prefeitura de Contagem estuda internação compulsória de pessoas em situação de rua

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse