Candidato à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) com o apoio do governador Romeu Zema (Novo) no ano passado, o deputado estadual Mauro Tramonte, do Republicanos, mudou de opinião sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dispensa a necessidade de referendo para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
No 2° turno de votação, ocorrido nesta quarta-feira (5), Tramonte votou contrariamente à PEC, aprovada com o apoio de 48 parlamentares. Na primeira votação, em 24 de outubro, o deputado se manifestou favoravelmente ao texto.
Procurado por O Fator, Tramonte afirmou preferir não comentar a mudança de posicionamento. Segundo ele, ainda estão previstas outras votações referentes à privatização da Copasa — uma referência ao projeto de lei que autoriza a venda de ações da companhia.
Nos bastidores, o parlamentar vinha sendo tido como um nome que, a despeito de demonstrar inclinação positiva à privatização, mostrava dúvidas quanto à pertinência da retirada do referendo.
A adesão ao fim do referendo diminuiu em relação ao 1° turno. Se, na votação inicial, foram 52 apoios, os 48 conseguidos pelo governo nesta quarta representam o piso para o sinal verde a emendas constitucionais.
A vitória, aliás, só foi alcançada por causa de Bruno Engler (PL), outro deputado que concorreu à Prefeitura de BH no ano passado. Engler não registrou o voto nos terminais eletrônicos espalhados pelo plenário, mas declarou, ao microfone, ser simpático à PEC. O presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), então, computou o voto do aliado de Jair Bolsonaro.
A decisão gerou protestos de parlamentares do grupo de oposição a Zema, que avaliam que o voto de Engler não deveria ser considerado válido.
Vice do Novo
Na eleição do ano passado, Tramonte teve Luísa Barreto, do Novo, como candidata a vice-prefeita. Ex-secretária de Estado de Planejamento e Gestão, ela é, atualmente, a diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
O palanque de Tramonte teve, ainda, o ex-prefeito Alexandre Kalil, hoje no PDT. Mesmo com os apoios, o deputado terminou na terceira colocação, com 15,22% dos votos válidos.
No segundo turno, o vitorioso Fuad Noman, do PSD, teve 53,73%, ante 46,2¨7% de Bruno Engler. Fuad, cabe ressaltar, morreu em março deste ano, aos 77 anos. Assim, seu vice, Álvaro Damião (União Brasil), assumiu a chefia do Executivo.
