O vice-governador Mateus Simões (PSD) enviou no último sábado (22) uma mensagem a dezenas de integrantes do governo de Minas Gerais com uma “convocação”: se candidatarem a deputado federal pelo Novo em 2026. O texto foi interpretado como uma tentativa de fortalecer a chapa do partido, que não elegeu nenhum representante na última eleição.
“Como você sabe, preciso de você na chapa do Novo ano que vem e, por isso, quero que já verifique se a sua desincompatibilização é de 6 ou 4 meses, para ficar tudo engatilhado. Ano que vem é corrido e muito tumultuado e quero deixar tudo organizado”, escreveu Simões na mensagem.
O vice-governador pediu que os destinatários verifiquem o prazo de desincompatibilização de seus cargos e se programem para deixar o governo até abril, limite estabelecido pela Justiça Eleitoral. “Tenho confiança no sucesso da empreitada, que é essencial para o Novo e para o Governo, faça essa verificação do prazo específico do seu cargo e já me pontue, por favor, para ficar tudo ajustado”, afirmou.
Na mensagem, Simões menciona casos de aliados que já estão deixando o projeto. “Tem uns poucos casos de gente que já estamos desligando agora, ou porque não vai se candidatar ou porque está mudando de partido, o que não deixa de me decepcionar, mas ao menos me dá a chance de levantar outras lideranças para as posições políticas atuais. Fizemos isso com um caso na semana passada, deve ter visto”, escreveu.
Interlocutores que receberam o texto interpretaram a referência como alusão à filiação do ex-secretário de Governo Igor Eto ao Avante. Eto está de saída do cargo que ocupa no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
O Novo mineiro elegeu dois deputados federais em 2018, mas não conseguiu emplacar nenhum representante em 2022. O partido enfrenta dificuldades para reconstruir sua bancada, agravadas por saídas recentes, incluindo a do próprio Mateus Simões, que se filiou ao PSD no mês passado para articular uma aliança visando a sucessão do governador Romeu Zema.
Antes das saídas de Simões e de Eto, a meta do Novo era eleger três deputados federais e cinco deputados estaduais por Minas Gerais em 2026. Com a reconfiguração do cenário, lideranças ligadas ao governador Romeu Zema passaram a rever cálculos e projeções, reconhecendo que as metas eleitorais precisam ser ajustadas.
Além dessas duas baixas, o Novo convive com a tensão em torno da possível desfiliação do seu principal nome para a disputa legislativa, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A ausência de Gleidson na inauguração do gasoduto da Gasmig, realizada na semana passada na região Centro-Oeste, reacendeu rumores sobre sua possível migração para outra sigla.
