O lugar da mulher brasileira é na ciência

Foto: krakenimages.com / Freepik

A ciência brasileira já tem rosto de mulher. Hoje, elas são a maioria entre estudantes e titulados em mestrado e doutorado no Brasil e representam 54% dos pesquisadores do País. Porém, a nossa presença em áreas como Tecnologia, Engenharias e Matemática ainda é limitada, assim como as oportunidades de progressão na carreira científica e de acesso a uma remuneração justa e equivalente à dos homens.

Apesar dos avanços nos últimos anos, o chamado “efeito tesoura”, que reduz a participação feminina ao longo da progressão na carreira, nos mostra que o desafio não é apenas de oportunidade, mas de permanência, de reconhecimento e de valorização dos nossos talentos. Historicamente, a desigualdade não está apenas na distribuição da renda salarial. Ela também aparece na dificuldade de acesso a financiamento para pesquisas. Projetos liderados por pesquisadoras têm recebido menos recursos. A diferença entre as oportunidades nas regiões do País agrava esse panorama. Pesquisadoras do Norte e do Nordeste enfrentam barreiras ainda maiores quando o assunto é financiamento público de pesquisas científicas.

A diversidade é condição fundamental para a democratização da ciência e para ampliar a qualidade da produção científica. Por isso, esta gestão do Governo do Brasil, mais precisamente por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem trabalhado em uma agenda integrada de políticas para fortalecer a participação das mulheres. Nossa atuação vai do estímulo às vocações científicas na educação básica à formação avançada. Abrange também a inserção em áreas tecnológicas estratégicas, o empreendedorismo inovador, o reconhecimento e a presença feminina em espaços de decisão.

Mais do que isso, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo presidente Lula, formulamos e implementamos políticas afirmativas e programas de incentivo à diversidade fundamentais para enriquecer a ciência e tecnologia brasileiras com a participação plena das mulheres na produção científica. Essa é uma ação estratégica de governo, uma política que busca excelência. É a compreensão de que a excelência científica, a inovação de impacto e o desenvolvimento sustentável do Brasil dependem, necessariamente, do aproveitamento dos nossos próprios talentos.

Desde 2023, o acesso às bolsas de formação por pesquisadoras, da iniciação científica ao doutorado, cresceu. Iniciativas como o programa Futuras Cientistas; a chamada Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação; o programa Mulheres Inovadoras; o Centelha; e o Conecta Startup Brasil atuam nas mais diversas frentes. São ações que incentivam desde meninas a ingressar nas mais diversas áreas de pesquisa até cientistas e empreendedoras que já têm experiência suficiente para contribuir e ampliar a pluralidade do ecossistema de inovação. Essas medidas atuam no sentido de enfrentar desigualdades históricas de gênero e raça.

Há, ainda, bolsas de estudo exclusivas para mulheres, programas de mentoria e incentivos para a ocupação de espaços estratégicos. Os editais do CNPq, por exemplo, estão adaptados para as especificidades femininas, como o impacto da maternidade na produtividade acadêmica e a necessária prorrogação de prazos.

O caminho ainda é longo, mas a determinação de superar essa desigualdade é imensa. Nos últimos três anos organizamos uma política robusta, que além de atuar nos eixos normativos e de reconhecimento, valorizou e insistiu no fomento. Nesse período, foram investidos cerca de R$ 1,7 bilhão em ações, políticas e programas voltados à participação feminina. O resultado disso é o sucesso de projetos importantes como o Programa Futuras Cientistas, as chamadas Meninas nas Ciências Exatas e Atlânticas – Beatriz Nascimento, e o Prêmio Mulheres e Ciência, entre tantas outras.

A ciência voltou e está do lado da mulher brasileira. Trabalhamos para consolidar esse conjunto de ações da Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação como uma política de Estado. Queremos que cada menina brasileira possa olhar para a ciência e se enxergar ali, não como uma exceção, mas como protagonista. Porque lugar de mulher é onde ela quiser. E, principalmente, na Ciência, Tecnologia e Inovação.

Luciana Santos é engenheira eletricista formada pela UFPE e tem trajetória política iniciada no movimento estudantil. Foi deputada estadual, prefeita de Olinda por dois mandatos, secretária estadual, deputada federal e vice-governadora de Pernambuco, além de presidente nacional do PCdoB.

Em 2022, foi escolhida por Lula para comandar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tornando-se a primeira mulher no cargo. Ao longo da carreira, também presidiu o Instituto de Pesos e Medidas de Pernambuco (IPEM) e atuou em pautas ligadas à ciência, tecnologia, meio ambiente e políticas públicas.

Leia também:

A equação envolvendo Novo e PL que Zema terá de resolver no Rio Grande do Sul

O nome da alta cúpula da Cemig que sairá com Alexandre Ramos

Justiça Eleitoral vê falhas em registro de candidato ao governo de Minas, que pode ser declarado inelegível

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse