Minas Gerais representa 31% dos planos de investimento compilados em um catálogo de mineração de materiais críticos no Brasil, incluindo terras raras, apresentado a fundos globais pelo governo federal. Os projetos no estado somam US$ 2,2 bilhões do total de US$ 7 bilhões do portfólio, com foco na atração de capital e novos empreendimentos para a expansão da cadeia produtiva.
O documento foi elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ele padroniza informações técnicas, jurídicas e operacionais, reduzindo a assimetria de dados e permitindo análise mais rápida por fundos estrangeiros.
A publicação, segundo a ApexBrasil, facilita contatos diretos entre investidores e responsáveis pelos projetos. Os números citados no documento foram informados pelas próprias empresas.
O Brasil detém algumas das maiores reservas do mundo de minerais críticos. Entre eles, lítio, cobalto, níquel, cobre, grafite e terras raras.
Esses materiais são usados especialmente em baterias, painéis solares e turbinas eólicas, essenciais para a transição energética e para a fabricação de tecnologias modernas. Minas Gerais é abundante nesse segmento.
Empreendimentos em Minas
Em Caldas, no Sul do estado, o Caldeira Project, da Meteoric Resources, prevê US$ 440 milhões para instalar uma planta de processamento de carbonato misto de terras raras (MREC), com licença preliminar estimada para novembro de 2025 e operação plena a partir de 2027.
Em Araxá, no Alto Paranaíba, a St George Mining projeta até US$ 700 milhões. São US$ 200 milhões destinados ao nióbio e até US$ 500 milhões para terras raras, em um projeto adjacente às operações da CBMM e voltado à formação de uma cadeia nacional de ímãs permanentes pelo consórcio MagBras.
No Vale do Jequitinhonha, a Graphcoa planeja investir US$ 120 milhões para a expansão da planta integrada de grafite e US$ 960 milhões adicionais no desenvolvimento tecnológico para produção de grafite esférico revestido (CSPG), usado em baterias de veículos elétricos.
Essa segunda parte é feita em parceria com a norte-americana Urbix, responsável pela tecnologia de purificação e revestimento.
Fora do estado
Fora de Minas, o documento reúne iniciativas em diversos estados, com destaque para o Sergipe Potash Project (SAP), avaliado entre US$ 1,7 bilhão e US$ 2,3 bilhões, considerado o maior investimento individual listado.
O catálogo também apresenta projetos de grafite, níquel, cobre, cobalto, tecnologias para vidro solar e fertilizantes especiais, além de iniciativas de inovação em processamento mineral na Bahia, Goiás e Nordeste.