Otimista sobre privatização, Bradesco eleva preço-alvo de ações da Copasa

A investidores, banco diz que venda de ações da estatal de saneamento tem 99% de chances de acontecer
Agência da Copasa em BH
O processo de privatização terá travas impedindo que o nome e a sede da Copasa não possam ser alterados sem aval do Executivo estadual, Foto: Copasa/Divulgação

O Bradesco BBI, banco de investimentos controlado pelo Bradesco, diz que a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tem 99% de chances de acontecer. A projeção consta em relatório divulgado a clientes da instituição nesse domingo (30). No documento, o BBI colocou em R$ 56 o preço-alvo das ações da empresa para o final do ano que vem. Antes, o target era de R$ 25.

A análise é de Francisco Navarrete, um dos integrantes da equipe de research do Bradesco BBI. Na visão dele, o otimismo quanto à privatização da Copasa se justifica pelos recentes avanços na tramitação legislativa do assunto, como a promulgação da Emenda à Constituição (PEC) que eliminou a necessidade de referendo popular para a venda de ações da estatal de saneamento.

Na visão de Navarrete, é alta a probabilidade de o processo ser concluído no ano que vem.

“O próximo passo é a votação do projeto de lei de privatização da Copasa pela Assembleia Legislativa, o que provavelmente ocorrerá ainda em dezembro de 2025. Presume-se que o governo do estado já possui os 3/5 dos votos necessários, visto que negociou com sucesso a eliminação do referendo”, pontuou, em menção à obrigatoriedade de a privatização ter o consentimento de ao menos 48 dos 77 deputados estaduais.

Na avaliação do Bradesco BBI, caso a privatização da Copasa não aconteça, o preço-alvo das ações sofreria desvalorização, chegando a aproximadamente R$ 32.

A previsão de aumento do valor das ações unitárias da Copasa não é exclusividade do Bradesco. No fim de outubro, o BTG Pactual estimou em R$ 46 o preço dos títulos no ano que vem. No mesmo mês, o Citi colocou o target em R$ 45, enquanto o Itaú BBA apontou R$ 43,20.

Votação à vista

Aliados do governador Romeu Zema (Novo) tentam fazer com que a votação em 1° turno do projeto que viabiliza a privatização da Copasa aconteça já nesta terça-feira (2). Nesta segunda-feira (1°), uma série de emendas à proposição serão rejeitadas pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) da Assembleia Legislativa (ALMG). As sugestões foram protocoladas por deputados de oposição.

O plano é concluir todo o processo de negociação das ações até abril do ano que vem, quando Zema deixará o governo para cuidar da pré-candidatura à Presidência da República.

O caminho a ser utilizado para concretizar a alienação dos papéis, contudo, não está decidido. Conforme O Fator já mostrou, uma das ideias aventadas gira em torno da adoção de um modelo misto, baseado em duas operações paralelas.

A possibilidade contempla a venda de um bloco acionário para um parceiro de referência e, ao mesmo tempo, a oferta de outra leva de títulos na Bolsa de Valores, por meio do follow on — mesmo tipo de operação realizada pela Sabesp, a estatal de águas paulista, em 2023.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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