Acusado de agredir a ex-esposa, Wellington Magalhães assume a presidência do Partido da Mulher Brasileira em MG

Cassado em 2019, ex-presidente da Câmara de BH tomou posse em novo cargo no mês passado
Escolha e composição da direção ampliam desgaste simbólico da legenda. Foto: Karoline Barreto/CMBH

Ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Wellington Magalhães assumiu a presidência do Partido da Mulher Brasileira (PMB) em Minas Gerais. Segundo a Justiça Eleitoral, Magalhães ficará no cargo até 12 de maio do ano que vem. Ele tomou posse em 12 de novembro.

Em 2019, Magalhães teve o mandato de vereador cassado por quebra de decoro parlamentar. No ano passado, o ex-chefe do Legislativo belo-horizontino foi denunciado pela ex-esposa, Kelly Jaqueline Maciel Pinto, por agressão e ameaça.

À época, um laudo de corpo de delito da Polícia Civil apontou manchas roxas no braço e na coxa de Kelly e concluiu pela existência de “ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente”, produzida por meio contundente.

Segundo o relato registrado em boletim de ocorrência, a ex-companheira afirmou ter sido agredida fisicamente durante uma discussão após retomar o convívio com o ex-vereador, em um contexto de dificuldades financeiras. O episódio levou à solicitação e concessão de medidas protetivas no âmbito da Lei Maria da Penha.

À época, a defesa de Magalhães divulgou nota negando as agressões e afirmando que a exposição pública dos fatos atingia sua vida privada e a de seus filhos, sustentando ainda que as acusações seriam falsas.

Na esteira deste mesmo caso, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte, determinou que Wellington Magalhães saísse da casa em que morava com a ex-esposa, na Região da Pampulha. A medida foi expedida depois que o ex-parlamentar descumpriu uma ordem de medida protetiva, emitida em abril, e permaneceu no imóvel.

O acordo

O caso envolvendo o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e sua ex-esposa ganhou um novo episódio recentemente

Conforme mostrado por O Fator, Kelly Jaqueline formalizou um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Pelo acerto, a empresária deixou de figurar como ré em uma ação de improbidade administrativa que tramita desde 2018, após concordar com a devolução de um lote localizado no Condomínio Aldeias do Lago, em Esmeraldas, nas proximidades de BH, e de um veículo Honda HR-V, que será incorporado ao patrimônio da Polícia Civil.

No acordo, ela reconheceu ter emprestado seu nome para ocultar patrimônio do ex-vereador e declarou que assinou documentos mediante coação, mencionando também ter sido vítima de violência doméstica ao longo do relacionamento. O Ministério Público apontou que a ex-companheira não possuía capacidade financeira compatível com a aquisição dos bens atribuídos a ela.

Wellington Magalhães permanece como réu na ação de improbidade administrativa, que segue em tramitação e caminha para sentença em primeira instância. Na esfera criminal, ele já foi condenado por lavagem de dinheiro, em processo que apurou a ocultação e dissimulação de recursos por meio da aquisição de bens em nome de terceiros.

Mudança de nome em meio à transição

A nomeação da nova direção estadual em Minas ocorre em paralelo a um processo de reformulação mais amplo do partido no plano nacional. Na última terça-feira (2) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a mudança de nome do Partido da Mulher Brasileira (PMB), que passará a se chamar Democrata.

A decisão foi acompanhada da imposição de um prazo de 90 dias para ajustes no estatuto, inclusive em dispositivos relacionados a mecanismos de enfrentamento da violência política de gênero.

Feitas as correções, o processo deverá ser reanalisado pelo Tribunal

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