Presidente do PT em Minas Gerais, a deputada estadual Leninha freou a intenção de correligionários de aprofundar as conversas sobre um possível apoio a Luís Eduardo Falcão (sem partido) na eleição para o governo do estado no ano que vem. Falcão, que preside a Associação Mineira de Municípios (AMM), considera entrar na disputa e passou a ser observado por petistas como opção para dar palanque à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na semana passada, durante evento de Lula em Belo Horizonte, Falcão criticou a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), ideia também rejeitada pelo PT, e pediu que os prefeitos sejam ouvidos antes da concretização da operação.
A O Fator, Leninha garantiu que o presidente da AMM não está no rol de nomes considerados pelo PT para concorrer à sucessão de Romeu Zema (Novo).
“Nosso partido está aberto a alianças. Mas, neste caso, mesmo com a posição dele (Falcão) se assemelhando a do PT em relação às privatizações, não está no radar”, apontou.
Falcão, que também é prefeito de Patos de Minas (Alto Paranaíba), disse à reportagem que conversa com todos os partidos, mas que isso não representa qualquer sinalização sobre eventual união ao PT em 2026.
“É positivo que coloquem no radar. Isso não significa apoiar. Gosto de deixar claro que sou de direita e minha trajetória até aqui foi construída com base nos princípios e valores que acredito. Porém isso não pode significar falta de diálogo. A mudança pedida por mais de 80% dos mineiros, conforme pesquisa recente, abrange todos os “lados ideológicos”. Nesse contexto o mais importante para nosso estado é parar de ficar discutindo o passado, ter diálogo e, principalmente, ter projeto de futuro pra Minas”, declarou.
Simpatia do PV e de Silveira
Presidente do Partido Verde (PV) de Minas Gerais, Osvander Valadão, por exemplo, afirmou à reportagem que as críticas recentes de Falcão ao governo Zema o colocam “no radar do centro democrático, que pensa o estado de forma parecida com o campo progressista”.
O PV, cabe lembrar, forma uma federação partidária com PT e PCdoB. A coalizão, que será renovada no ano que vem, impõe aos partidos a obrigação de caminhar juntos na eleição.
O presidente da AMM também tem se aproximado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), um dos principais aliados de Lula no estado. Durante a disputa pelo comando da associação municipalista, o prefeito de Patos de Minas teve o apoio de figuras do PT, como o deputado Ulysses Gomes, que lidera o bloco de oposição a Zema na Assembleia Legislativa (ALMG).
Também distantes
Pelo que apurou a reportagem, o ex-prefeito da capital, Alexandre Kalil (PDT), e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Gabriel Azevedo (MDB), também sofrem rejeição nas maiores correntes do PT mineiro.
Dirigentes da sigla apontam falta de convivência política com o ex-vereador belo-horizontino, que começou a trajetória política no PSDB. Interlocutores também lembram uma foto de Azevedo com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, durante o processo que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Já a reedição da aliança do PT com Kalil em 2026 é tida como “muito improvável” por dirigentes da legenda no estado.
Neste cenário, os nomes preferidos seguem sendo os do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e do presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB).