Aliados de Simões dizem que filiação de Caiado ao PSD não mexe em acordo para palanque a Zema

Governador de Goiás chegou ao partido de Gilberto Kassab nesta semana, em negociação com rápido desfecho
Romeu Zema, Mateus Simões e Gilberto Kassab
Acordo entre Simões e Kassab prevê apoio a Zema na disputa presidencial. Foto: PSD/Divulgação

Embora reconheçam terem sido pegos de surpresa com o rápido desfecho das tratativas pela filiação, ao PSD, do governador goiano Ronaldo Caiado, aliados do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), avaliam que o acordo construído no estado segue válido.

O entendimento, ao menos por ora, é de que Simões segue com aval do partido para dar palanque à pré-candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República mesmo que a legenda lance um filiado para concorrer ao cargo.

A chegada de Caiado ao PSD de Simões embaralhou o cenário interno na sigla, que, além dos acordos estaduais, passa a ter três pré-candidatos a presidente. Antes da aterrissagem do goiano, já estavam no páreo os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

O fato de a costura para a filiação de Caiado ter acontecido de forma ágil é justamente o que ampara o discurso dos aliados do vice-governador. Nem mesmo pessoas próximas ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, esperavam tamanha velocidade.

O intervalo entre o anúncio de desfiliação do chefe do Palácio das Esmeraldas do União Brasil e a confirmação de sua entrada no PSD foi inferior a 24 horas. Para mostrar que, apesar das várias pré-candidaturas, a sigla está unida, o anúncio veio em um vídeo de Caiado e Kassab ao lado de Ratinho e Leite.

Dois palanques?

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o discurso que será adotado é de que o PSD saiu mais forte nacionalmente e no plano estadual com as recentes movimentações, uma vez que concentra para si, por meio de Kassab, as decisões sobre o pleito. Esse também foi o dom dado publicamente pelo presidente nacional da agremiação.

Adicionalmente, há a percepção de que dar palanque a Zema em Minas não alteraria significativamente o cenário geral da eleição, já que um bom desempenho do governador mineiro pode ser importante para forçar um segundo turno entre Lula e um nome da centro-direita.

Mas, na prática, também há o entendimento que adiante irá surgir a discussão sobre o peso político de Minas nas eleições ao Planalto. Desde a redemocratização, quem ganha no estado, ganha no país. E, por se tratar do segundo maior colégio eleitoral do Brasil, a balança também pode pesar em prol da bandeira própria.

‘Revival’ do caso Ratinho

O acordo que deu a Zema espaço no palanque de Simões foi fechado em outubro do ano passado, em meio às negociações que levaram o vice-governador deixar o Novo e rumar ao PSD. Ficou acertado que ele teria liberdade para apoiar o seu padrinho político no estado.

No início do mês, quando aliados de Kassab passaram a reverberar uma declaração em que Ratinho admite a possibilidade de concorrer ao Planalto, O Fator também mostrou que o trato com Zema seguia de pé mesmo com os acenos do cacique pessedista ao paranaense.

“Kassab disse com todas as letras que o palanque do partido no estado é de Zema”, assegurou Simões a O Fator, em novembro.

Lado a lado

Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto participam, inclusive, de um evento em São Paulo nesta quarta-feira (28). Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite estiveram em uma conferência de investimentos organizada pelo UBS BB, banco responsável pela iniciativa.

Em conversa com a imprensa, o mineiro falou sobre a necessidade de união durante a corrida presidencial.

“Já manifestei publicamente que apoiarei qualquer um deles (do PSD) e também o Flávio (Bolsonaro) no segundo turno contra o PT. Nós temos de lembrar que as propostas nossas com relação às da esquerda são as propostas que vão levar o Brasil para o futuro. Os programas sociais são importantíssimos, mas precisamos ter porta de saída”, pontuou, à Folha de S. Paulo.

Como mostrou O Fator, os governadores participaram do painel “Motores do crescimento: governadores do Brasil em foco”. O UBS BB é resultado de uma parceria firmada em 2019 entre o banco suíço UBS e o Banco do Brasil (BB). O grupo atua na prospecção e estruturação de investimentos na América Latina.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atuou na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, integrou a assessoria da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico.
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