O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), fez, nessa segunda-feira (15), sua última visita à Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) em 2025. O chefe do Executivo recebeu do presidente Juliano Lopes (Podemos) um cheque simbólico no valor de R$ 70 milhões, pouco mais da metade dos R$ 138 milhões que a Câmara devolverá aos cofres da PBH até 31 de dezembro.
O contexto do encontro dessa segunda foi integralmente antagônico em relação à primeira agenda de Damião na Casa Legislativa no ano, em 1º de janeiro, quando tomou posse como vice-prefeito e assumiu interinamente o comando da cidade em razão da licença apresentada pelo ex-prefeito Fuad Noman (PSD) para cuidar da saúde.
O clima estremecido que rondava a relação da prefeitura com a Câmara em janeiro, em razão da divisão da Casa na eleição da Mesa Diretora, durou pouco. Damião encerra seu primeiro ano à frente do Executivo municipal com base e maioria consolidadas no Legislativo.
Acordos ecléticos
Um dos primeiros compromissos – e, talvez, o mais importante – para essa pacificação foi selado com o próprio Juliano Lopes. Um dia após tomar posse como prefeito efetivo, em 4 de abril, Damião confirmou sua aproximação com o secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP). A “Família Aro”, como é chamado o grupo liderado pelo secretário, tem entre seus integrantes, além de Juliano, ao menos dez outros vereadores belo-horizontinos.
O presidente da Câmara tornou-se, desde então, aliado de Damião na votação dos principais projetos enviados pelo Executivo.
O prefeito manteve também ao longo do ano boa relação com a maior parte das bancadas do PT, Psol, PL e Novo. Juntas, as quatro legendas ocupam 16 das 41 cadeiras da Câmara.
Raros embates
A relação com os parlamentares dos partidos progressistas chegou a ficar estremecida no começo de outubro, quando PT, Psol, PCdoB e PV votaram de forma unânime em favor do Tarifa Zero, contrariando a orientação governista.
O episódio causou também uma mudança na vice-liderança do governo na Câmara. Após anunciar que votaria pela gratuidade nas passagens, Helton Júnior (PSD) foi substituído no cargo por Diego Sanchez (Solidariedade).
De lá para cá, os diálogos do núcleo político da PBH com Pedro Patrus (PT) e Iza Lourença (Psol) seguem conflituosos. Já Wagner Ferreira (PV) e Edmar Branco PCdoB), por exemplo, reaproximaram-se da administração municipal.
Na direita, as principais divergências em 2025 ocorreram, majoritariamente, com Pablo Almeida e Sargento Jalyson, ambos do PL, em pautas como a gestão da Guarda Municipal e a limpeza da Lagoa da Pampulha.
Balanço
As articulações da Prefeitura com a Câmara são lideradas, por parte do Executivo, pelo secretário municipal de Governo, Guilherme Daltro.
Em entrevista exclusiva a O Fator, Daltro celebrou a boa relação mantida com os vereadores, e projetou expectativas positivas quanto ao avanço dos diálogos em 2026. Segundo o secretário, o próximo ano será de “muita entrega” na PBH.
“Conseguimos sensibilizar os parlamentares de maneira majoritária a entender que este ano vivemos um grande desafio orçamentário e financeiro, como foi a tônica em quase todos os municípios brasileiros. Tivemos votações importantes: cito aqui a aprovação das operações de crédito como algo extremamente positivo para as obras de infraestrutura. Tivemos também votações polêmicas, tendo a maior mobilização da história da Câmara. O importante foi que tanto o Executivo quanto o Legislativo tiveram responsabilidade e altivez para conduzir os trabalhos em um ano tão conturbado”, avaliou.